De você sei quase nada.
Pra onde vai ou porque veio.
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada no meu caminho?
Será um atalho? Ou um desvio?
Um rio raso? Um passo em falso?
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo
Noite alta que revele um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
Se tudo passa, como se explica o amor que fica nessa parada.
De amor que chega sem dar aviso não é preciso saber mais nada
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Parece Domingo
Quando você for dormir
Não se esqueça de lembrar
Tudo que aconteceu
Da aurora até o luar
Olho de janela
Nuvem de algodão
Pele de flanela
Sopa de vulcão
Borda de caneca
Bola de papel
Ferro na boneca
Lágrima de mel
Toda noite lembra o que aconteceu de dia
Sonha para o sono vir
Quando você for dormir
Quando você se deitar
Deixa o pensamento ir
Sem ter nunca que voltar
Música vermelha
Pássaro de flor
Chuva sobre a telha
Beijo de vapor
Riso no escuro
Lua de beber
Voz detrás do muro
Medo de morrer
Toda noite cria o que acontecerá de dia
Para o novo dia vir
Não se esqueça de lembrar
Tudo que aconteceu
Da aurora até o luar
Olho de janela
Nuvem de algodão
Pele de flanela
Sopa de vulcão
Borda de caneca
Bola de papel
Ferro na boneca
Lágrima de mel
Toda noite lembra o que aconteceu de dia
Sonha para o sono vir
Quando você for dormir
Quando você se deitar
Deixa o pensamento ir
Sem ter nunca que voltar
Música vermelha
Pássaro de flor
Chuva sobre a telha
Beijo de vapor
Riso no escuro
Lua de beber
Voz detrás do muro
Medo de morrer
Toda noite cria o que acontecerá de dia
Para o novo dia vir
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Que Tudo se Realize no Ano que Vai Nascer - ou Seria na Ana que Vai Nascer?
Com a proximidade da virada do ano, somos todos contagiados pela sensação de mudanças. Claro que depois do dia 31, tudo que fica é a ressaca da festa, mas ainda sim insistimos nas resoluções pro ano que se aproxima. Parar de fumar, beber menos, abandonar definitivamente o sedentarismo e desacomodar-se para um trabalho que te dê prazer são clássicos que figuram praticamente todas as listas, de todas as pessoas que insistem em fazer listas, todos os anos. Ou seja, se os ítens são os mesmos, significa que no ano anterior a resolução não foi cumprida e tudo que nos resta é a boa intenção (ou a cara de pau) de tentar mais uma vez.
Nós, que pertencemos ao clube das desventuradas amorosas, sempre aproveitamos o ensejo pra nos comprometermos com uma causa maior. Usamos o fim de ano como uma espécie de purificação em nossa caminhada em direção à luz. Sim, no próximo ano estaremos iluminadas! Nossa causa é nobre e digna. Pularemos as sete ondas com a mão no coração (e não vai ser pra segurar o peito porque só compramos blusas que dêem pra usar com sutiã), para que em 2008 sejamos novas mulheres. O problema é que todo ano é a mesma coisa...
Mas esse ano terá que ser diferente. Nossa categoria está de luto. Aguardamos preocupadíssimas o lançamento de Sex and the City. Se realmente Carrie Bradshow se casar com Mr. Big no filme, será nosso fim. Logo você, Sarah Jessica Parker? Representante máxima das desventuradas! Se até você vai sucumbir ao formato "e eles se casaram e foram felizes para sempre", nossa existência estará comprometida. Afinal é consolador saber que Carrie Bradshow linda, bem vestida e bem sucedida (exatamente como cada uma de nós) padece do mesmo mal que nos intriga.
Em 2008 mudaremos nossa perspectiva sobre essa questão. Ela não mais ocupará tanto espaço no nosso HD. Preocuparemo-nos com nossa carreira profissional, com o aquecimento global, com a economia mundial, com o mico-leão dourado, com a ação da gravidade sobre nosso bumbum e até com quem vai ser o próximo eliminado do Big Brother. Mas jamais, em hipótese alguma, perderemos o sono caso ele não nos ligue no dia seguinte.
É um pedido simples. Uma ítem apenas na listinha. Fomos boas meninas. Não parcelamos nossas compras no cartão, não faltamos na drenagem e nem na academia (hihihhih... esses são ítens pra outras listas). E nossas faltas não são muitas. Cultivamos o ódio apenas por pessoas que usam adesivos nas unhas, saias assimétricas, celulares com meinhas, anéis nos dedos dos pés, cavanhaques... aiiiiii...tá. Chega... Só por isso.
No mais é isso aí. Saúde. Paz. Dinheiro. Pra você, pra mim e pra todo mundo. Ah! E amor... Amor a gente quer também. Todo mundo quer. All we need is love. Em 2008 e na vida inteira. Feliz ano novo.Nós, que pertencemos ao clube das desventuradas amorosas, sempre aproveitamos o ensejo pra nos comprometermos com uma causa maior. Usamos o fim de ano como uma espécie de purificação em nossa caminhada em direção à luz. Sim, no próximo ano estaremos iluminadas! Nossa causa é nobre e digna. Pularemos as sete ondas com a mão no coração (e não vai ser pra segurar o peito porque só compramos blusas que dêem pra usar com sutiã), para que em 2008 sejamos novas mulheres. O problema é que todo ano é a mesma coisa...
Mas esse ano terá que ser diferente. Nossa categoria está de luto. Aguardamos preocupadíssimas o lançamento de Sex and the City. Se realmente Carrie Bradshow se casar com Mr. Big no filme, será nosso fim. Logo você, Sarah Jessica Parker? Representante máxima das desventuradas! Se até você vai sucumbir ao formato "e eles se casaram e foram felizes para sempre", nossa existência estará comprometida. Afinal é consolador saber que Carrie Bradshow linda, bem vestida e bem sucedida (exatamente como cada uma de nós) padece do mesmo mal que nos intriga.
Em 2008 mudaremos nossa perspectiva sobre essa questão. Ela não mais ocupará tanto espaço no nosso HD. Preocuparemo-nos com nossa carreira profissional, com o aquecimento global, com a economia mundial, com o mico-leão dourado, com a ação da gravidade sobre nosso bumbum e até com quem vai ser o próximo eliminado do Big Brother. Mas jamais, em hipótese alguma, perderemos o sono caso ele não nos ligue no dia seguinte.
É um pedido simples. Uma ítem apenas na listinha. Fomos boas meninas. Não parcelamos nossas compras no cartão, não faltamos na drenagem e nem na academia (hihihhih... esses são ítens pra outras listas). E nossas faltas não são muitas. Cultivamos o ódio apenas por pessoas que usam adesivos nas unhas, saias assimétricas, celulares com meinhas, anéis nos dedos dos pés, cavanhaques... aiiiiii...tá. Chega... Só por isso.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Baldeando
Da plataforma dá pra ver como os ratos são capazes de entrar em lugares minúsculos. Aliás, a plataforma do trem é o único lugar que te permite observar os ratos com um certo encantamento. Você não se preocupa porque sabe que eles estão lá embaixo nos trilhos e não chegarão até você de jeito algum.
A estação da Luz é a que tem mais enlevo. Talvez por aquela construção do século passado. Não que ela combine com os trens espanhóis azuis, muito menos com aqueles prateados sem janela. Mas aos olhos parece menos prosaica. Enche mais. Ainda que o trem não saia de trás de montanhas azuis e nem faça piuí abacaxi.
Se você não estiver com pressa ou esgotado por mais um dia longo vai ter muito o que olhar.
Quando o trem se aproxima, os que pretendem descer, inimigos dos que pretendem entrar, aproximam-se da porta mostrando que o embate está próximo. Claro que se os que pretendem embarcar entendessem que seria mais fácil subir quando os que estão no vagão desembarcarem, o conflito não existiria. Mas é compreensível. A maioria dos que embarcam e desembarcam já estão na terceira, quarta condução no dia. Ou ainda na primeira, de todas as outras que ainda pegarão.
Observe que o trem está lotado, mas quase todos não estão ali. Estão longe. Em seus mundos. Olhando algum ponto sem ver nada. Com seus fones de ouvido e seus livros. Sim. Muitos lêem no trem. De Danielle Steel a Matemática Avançada. Será que os passageiros são mais letrados que os que estão presos no trânsito? Afinal, se dedicam uma ou duas horas por dia à leitura enquanto os que estão no trânsito podem no máximo escutar as notícias da última hora, devem mesmo ser mais eruditos...
Outros fazem dos vagões seu meio de vida. As atividades são variadas. Há os que fazem discursos sobre doenças, pedindo ajuda para os remédios, leite dos filhos e que sempre dizem que não estariam pedindo se tivessem um trabalho. Aleijados, coxos, cegos. Os vendedores são clandestinos. O comércio é ilegal. Entram no vagão com suas mercadorias dentro da mochila para que elas não sejam apreendidas pelos vigilantes nas plataformas. As mercadorias também são inusitadas. Chocolates, pastilhas para garganta, tabuada, cortadores de unha... Há os que com a bíblia em punho, usam o trem pra evangelizar. Exortam os passageiros à conversão. E outros, atentos à desatenção de outros, esperam o momento certo de levar uma carteira ou um celular...
Se o horário for de pico, a missão requer certa dose de coragem. É possível que você passe a viagem toda sem mexer sequer um dedo. Não dá. Caso você tire o pé do chão, é possível que não encontre mais o chão para apoiar-se.
Na espera, inevitável é pensar na possibilidade iminente de alguém pular nos trilhos.
Tudo tem. Tudo trem.
A estação da Luz é a que tem mais enlevo. Talvez por aquela construção do século passado. Não que ela combine com os trens espanhóis azuis, muito menos com aqueles prateados sem janela. Mas aos olhos parece menos prosaica. Enche mais. Ainda que o trem não saia de trás de montanhas azuis e nem faça piuí abacaxi.
Se você não estiver com pressa ou esgotado por mais um dia longo vai ter muito o que olhar.
Quando o trem se aproxima, os que pretendem descer, inimigos dos que pretendem entrar, aproximam-se da porta mostrando que o embate está próximo. Claro que se os que pretendem embarcar entendessem que seria mais fácil subir quando os que estão no vagão desembarcarem, o conflito não existiria. Mas é compreensível. A maioria dos que embarcam e desembarcam já estão na terceira, quarta condução no dia. Ou ainda na primeira, de todas as outras que ainda pegarão.
Observe que o trem está lotado, mas quase todos não estão ali. Estão longe. Em seus mundos. Olhando algum ponto sem ver nada. Com seus fones de ouvido e seus livros. Sim. Muitos lêem no trem. De Danielle Steel a Matemática Avançada. Será que os passageiros são mais letrados que os que estão presos no trânsito? Afinal, se dedicam uma ou duas horas por dia à leitura enquanto os que estão no trânsito podem no máximo escutar as notícias da última hora, devem mesmo ser mais eruditos...
Outros fazem dos vagões seu meio de vida. As atividades são variadas. Há os que fazem discursos sobre doenças, pedindo ajuda para os remédios, leite dos filhos e que sempre dizem que não estariam pedindo se tivessem um trabalho. Aleijados, coxos, cegos. Os vendedores são clandestinos. O comércio é ilegal. Entram no vagão com suas mercadorias dentro da mochila para que elas não sejam apreendidas pelos vigilantes nas plataformas. As mercadorias também são inusitadas. Chocolates, pastilhas para garganta, tabuada, cortadores de unha... Há os que com a bíblia em punho, usam o trem pra evangelizar. Exortam os passageiros à conversão. E outros, atentos à desatenção de outros, esperam o momento certo de levar uma carteira ou um celular...
Se o horário for de pico, a missão requer certa dose de coragem. É possível que você passe a viagem toda sem mexer sequer um dedo. Não dá. Caso você tire o pé do chão, é possível que não encontre mais o chão para apoiar-se.
Na espera, inevitável é pensar na possibilidade iminente de alguém pular nos trilhos.
Tudo tem. Tudo trem.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Ana Banana S/A
De todas as coisas que gostaria de deixar em 2007, você certamente está no pódium. O problema é que vc também está em primeiro lugar de várias outras listas.
Não sei se eu inventei essa mania por você. Capricho. Mas sei que tá virando cacoete. Sério. Sabe cacoete que nem terapia cura? Como virar os olhos ao falar, ou passar a língua nos lábios a cada 5 segundos... Afe. Cacoete é uma coisa meio bizarra. E quando olho pra mim, acabo tendo a mesma impressão. Será que é tão estranho assim gostar de você? Que parte dessa história parece tão maluca? Em que momento virei aberração?
Se fui eu que inventei, tenho que saber desinventar. Não que eu espere voltar onde um dia estive. Só quero colocá-lo no lugar de onde o tirei. Despromovê-lo. Porque não é possível despedí-lo da minha vida. Você está nela. Definitivo. Mas essa história de despromover é difícil. Veja se alguma empresa despromove o funcionário de chefe pra subalterno? Só se demiti-lo. Mais fácil seria se você resolvesse me promover...
Tá vendo como eu penso nessa possibilidade? É só me distrair e o assunto muda de pólo. Da sua demissão pra minha promoção. Será que é preguiça minha? Pode ser. Eu sempre fui meio preguiçosa mesmo. Deixar de gostar de você dá um trabalho... Seria melhor você ficar com todo o trabalho. Nesse caso, o trabalho de gostar de mim.
Daqui pro próximo ano, nos veremos algumas vezes. Não sei se vou conseguir reduzir sua jornada. Isso implica em redução salarial e é difícil não aboná-lo. Não que você mereça, afinal só enrolou durante todo o ano. Se a empresa teve algum lucro (e se teve foi bem pequeno), você não teve participação. Ainda sim vou tentar.
Essas serão as diretrizes pro próximo ano... Colabora que coloco sua foto no quadrinho de funcionário do mês.
Não sei se eu inventei essa mania por você. Capricho. Mas sei que tá virando cacoete. Sério. Sabe cacoete que nem terapia cura? Como virar os olhos ao falar, ou passar a língua nos lábios a cada 5 segundos... Afe. Cacoete é uma coisa meio bizarra. E quando olho pra mim, acabo tendo a mesma impressão. Será que é tão estranho assim gostar de você? Que parte dessa história parece tão maluca? Em que momento virei aberração?
Se fui eu que inventei, tenho que saber desinventar. Não que eu espere voltar onde um dia estive. Só quero colocá-lo no lugar de onde o tirei. Despromovê-lo. Porque não é possível despedí-lo da minha vida. Você está nela. Definitivo. Mas essa história de despromover é difícil. Veja se alguma empresa despromove o funcionário de chefe pra subalterno? Só se demiti-lo. Mais fácil seria se você resolvesse me promover...
Tá vendo como eu penso nessa possibilidade? É só me distrair e o assunto muda de pólo. Da sua demissão pra minha promoção. Será que é preguiça minha? Pode ser. Eu sempre fui meio preguiçosa mesmo. Deixar de gostar de você dá um trabalho... Seria melhor você ficar com todo o trabalho. Nesse caso, o trabalho de gostar de mim.
Daqui pro próximo ano, nos veremos algumas vezes. Não sei se vou conseguir reduzir sua jornada. Isso implica em redução salarial e é difícil não aboná-lo. Não que você mereça, afinal só enrolou durante todo o ano. Se a empresa teve algum lucro (e se teve foi bem pequeno), você não teve participação. Ainda sim vou tentar.
Essas serão as diretrizes pro próximo ano... Colabora que coloco sua foto no quadrinho de funcionário do mês.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Porque te ver confirma o que sei
Até parece que não lembra
que não sabe o que passou
Olha pra mim
Não faz de conta que não pensa
em outra chance pra nós dois
Não faz assim
Não me torture, não simule
não me cure de você
Deixa o amanhã dizer
que não sabe o que passou
Olha pra mim
Não faz de conta que não pensa
em outra chance pra nós dois
Não faz assim
Não me torture, não simule
não me cure de você
Deixa o amanhã dizer
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Amores que chegam em dezembro
Você metade gente
e metade cavalo
Durante o fim do ano
cruza o planetário
Cavalga elegância
Cabeça em pé de guerra mansa
Nas mãos arco e flecha
Meu coração
Aguarda e acompanha
seu itinerário
Até o fim do ano
ser de sagitário
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Pra comer de colher
Quando a gente faz brigadeiro, tudo que precisa é prestar atenção pra de não deixar passar do ponto. O ponto do brigadeiro é bem simples: a gente vira a panela de um lado pro outro e observa se ele tá descolando do fundo. Descolou, pronto. É só tirar do fogo e tentar esperar esfriar. Normalmente não consegue. Come quente mesmo.
Com a gente, não sei porque desandou. Nem sei em que momento a gente passou do ponto. Talvez o descompasso tenha sido na hora de abrandar o fogo. Brigadeiro bem feito é cozido em fogo brando. E o nosso era inconstante. Só abrandava na distância. E brigadeiro você sabe, se der aquela sapecadinha, o gosto de queimado fica no doce todo.
Caso a gente coloque os ingredientes na panela de novo, é melhor definir antes quem é que vai mexer. E ficar atento no ponto. E se caso acertar a mão, vai com calma. Vê se não vai queimar a boca.
Com a gente, não sei porque desandou. Nem sei em que momento a gente passou do ponto. Talvez o descompasso tenha sido na hora de abrandar o fogo. Brigadeiro bem feito é cozido em fogo brando. E o nosso era inconstante. Só abrandava na distância. E brigadeiro você sabe, se der aquela sapecadinha, o gosto de queimado fica no doce todo.
Caso a gente coloque os ingredientes na panela de novo, é melhor definir antes quem é que vai mexer. E ficar atento no ponto. E se caso acertar a mão, vai com calma. Vê se não vai queimar a boca.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Sampa
O prédio fica na esquina da Basílio com a Avenida São Luiz. Da sacada dá pra ver o Edifício Itália, a praça da República e a Avenida Ipiranga. Tem gente que diz que sou pirada. Uma praça cheia de mendigos, uma avenida de trânsito caótico, tanta gente. Acho tudo lindo. O pé direito é enorme. A cortina é branca e bem comprida, acompanhando todos aqueles infindáveis vidros do teto ao chão. Oscar Niemeyer. Pouca gente sabe, mas o prédio saiu de seus desenhos.
Bem embaixo tem uma banca enorme, daquelas com todas as revistas importadas necessárias pra nossa sobrevivência. Tem uma lanchonete que faz aquele sanduíche de queijo minas quente no pão integral e o suco de açaí com laranja. Sem açúcar. Nem preciso dizer. O Marcos já sabe. -O de sempre? Tudo isso pela bagatela de 5,70... O sabor é real. A beleza também. Não é o luxo fake dos jardins. Arquitetura, gente, pouca cor e muita dor. É pecado ver beleza?
Dali eu posso partir pra qualquer lugar. Posso pegar o metrô pra Liberdade depois de assistir a missa no mosteiro de São Bento. De metrô também vou ao Masp e na Fnac com le petit enfant. Se for de carro, vou ao cinema, na sua casa e no Bar do Léo que tem o único chopp que me dá um prazer incrível de tomar e me tornou habituee de suas mesas. Mas bom mesmo só se a Paula for.
Surpreendentemente me sinto segura em seus arredores. Não aperto o passo. Seguro a bolsa, mas acho que isso já virou cacoete de paulistana. Não tenho medo. Embora muitos estejam desesperados por qualquer coisa que possam trocar por uma pedra, a maioria só escolheu o centro como estilo de vida. Temos algo em comum.
Bem embaixo tem uma banca enorme, daquelas com todas as revistas importadas necessárias pra nossa sobrevivência. Tem uma lanchonete que faz aquele sanduíche de queijo minas quente no pão integral e o suco de açaí com laranja. Sem açúcar. Nem preciso dizer. O Marcos já sabe. -O de sempre? Tudo isso pela bagatela de 5,70... O sabor é real. A beleza também. Não é o luxo fake dos jardins. Arquitetura, gente, pouca cor e muita dor. É pecado ver beleza?
Dali eu posso partir pra qualquer lugar. Posso pegar o metrô pra Liberdade depois de assistir a missa no mosteiro de São Bento. De metrô também vou ao Masp e na Fnac com le petit enfant. Se for de carro, vou ao cinema, na sua casa e no Bar do Léo que tem o único chopp que me dá um prazer incrível de tomar e me tornou habituee de suas mesas. Mas bom mesmo só se a Paula for.
Surpreendentemente me sinto segura em seus arredores. Não aperto o passo. Seguro a bolsa, mas acho que isso já virou cacoete de paulistana. Não tenho medo. Embora muitos estejam desesperados por qualquer coisa que possam trocar por uma pedra, a maioria só escolheu o centro como estilo de vida. Temos algo em comum.
Quinzenalmente as crianças estão fora. A esse formato eu já me acostumei. Se quiser você pode até dormir aqui. Se a gente acordar mais animado, estamos a alguns passos da casa de todas as casas. Dá pra ir a pé. Só pra conferir a elegância nada discreta das nossas meninas. Nosso love tem muito story.
Pela manhã, bate um solzinho na sacada e tomo o café ali lendo o jornal. A notícias são as mesmas. Gente que rouba, gente que mata. Bolsa que sobe, bolsa que desce. Mas estou sozinha. Ainda que você não tenha ido embora, não me atreveria a acordá-lo. Dormir pouco é coisa minha. Coisa de mãe. Coisa de mãe que mora no centro.
Não sei até quando ficarei por aqui. Talvez o aluguel suba demais. Talvez o trânsito me obrigue a morar perto da escola das crianças. Mas enquanto isso eu vou ficando. Na confusão, no concreto, no cinza. Enquanto alguma coisa acontecer no meu coração.
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