sexta-feira, 28 de março de 2008

Feia em 5 dias


Motivada pelo sofrimento da humilde Luana Piovani que declarou "Sim, a beleza atrapalha. E muito." Redigi esse pequeno roteiro inspirada pelo formato da dieta dos pontos da revista Boa Forma e espero que essa seja uma ferramenta útil para todas as minhas leitoras que padecem do mesmo problema da coitada da Luana.
Esse é um programa completo que engloba não somente o corpo, mas também a pele e a saúde em si. É sabido por todos que a beleza vem de dentro pra fora, então a eficácia deste programa está justamente em cortar o mal pela raiz. Ressalto também que o programa foi desenvolvido e testado no decorrer dos últimos dias por mim, sendo assim, se seu objetivo for o mesmo da Luana, não hesite. Em apenas 5 dias, os resultados serão visíveis:



Dia 1 - Domingo de Páscoa
café da manhã : acorde na praia atrasada pro almoço na casa da vó, dirija-se até a padaria mais próxima e mande ver num pão na chapa com bastante manteiga e um café com leite. A manteiga aviação é a mais recomendada.
almoço: sem muitos pormenores, o dia é de festa. O cardápio detém toda sorte de bacalhau e suas variações. Recomenda-se também nessa refeição, iniciar a maratona chocólatra. Caso você tenha filhos, você já sairá na frente. Eles receberão a visita de infinitos coelhos: Lindt, Nestlé, Garoto, Lacta... Não faça distinção entre eles. Mãe zelosa cuida da saúde dos filhos e come todo seu chocolate pra livrá-lo desse mal. Não é indicado comer todo chocolate neste dia. Principalmente se forem mais de 20 ovos. O risco de passar mal e precisar de atendimento médico é iminente e pode impedí-la de continuar o programa.
jantar: embora vc sinta aquela sensação de entupimento, faça uma visita à casa da única amiga do mundo que possui uma adega climatizada e tome vinho. É bom fazer uma boquinha. Queijos e pães são indicados.



Dia 2 - Segunda-feira
café da manhã: após bufar durante 1 hora no trânsito e ganhar rugas matutando soluções para a engenharia de tráfego da cidade, coma correndo um folheado de queijo minas acompanhado de um chocolate grande. Faça isso enquanto verifica seus e-mails, mas tome o cuidado de não engordurar o teclado.

almoço: aceite o convite dos meninos do trabalho pra almoçar num estabelecimento conhecido por "Feijão do Antonio". Dentre as muitas 5 opções do cardápio, escolha o estrogonoffe acompanhado por arroz e fritas. As fritas são indispensáveis para o sucesso do programa. É aconselhável pedir uma coca. Mas nada de coca zero. Coca normal.

jantar: depois de atravessar a cidade debaixo de chuva pra encontrar a pessoa com a qual você vai jantar e encontrá-la com uma cara de cu pela sua demora (esse detalhe é excelente pra mantença de sua auto-estima), opte por um restaurante japonês pois com a delicadeza de seu acompanhante provavelmente seu apetite desaparecerá. Concentre-se no saquê. A comida nesse dia não importa muito. Melhor encher a cabeça com o álcool.
Dica do dia: Aproveite a ocasião para dormir maquiada. Chegue em casa podre e caia na cama sem lavar o rosto. Essa pequena atitude trará excelentes resultados pra sua consciência. Principalmente quando você lembrar-se que gastou 30% do seu salário em produtos Vichy e Shiseido.



Dia 3 - Terça-feira
cafe da manhã: acorde com tempo de tomar café com seus filhos. Aproveite pra tomar um Activia pro seu intestivo lembrar que ele tem uma função no seu corpo. Mas coma também um egg sponge acompanhado por uma caneca de ovomaltine. Se você tomar somente o iogurte, seus filhos não terão um exemplo e não comerão tudo. Questionarão o porquê de terem que comer se você não come nada. A alimentação das crianças em primeiro lugar.

almoço: trabalhe o dia todo sem parar. Estresse-se com um zilhão de problemas no trabalho e participe de infindáveis reuniões. Quando sentir uma fraquezinha lá pelas quatro da tarde, peça pra alguém descer até a padaria e comprar um sanduíche de peru com maça pra você. Um guaraná ajuda a descer. Só não esqueça de avisar a pessoa encarregada de comprar o lanche que você está nesse programa. Só pra não correr o risco de receber um guaraná zero na volta.
jantar: não basta cuidar do corpo. Tem que cuidar da cabeça também. Por isso assista à final do Big Brother comendo pão sírio com coalhada seca. Além do conteúdo do programa ser altamente instrutivo, você aproveita a longa duração dele pra comer mais.



Dia 4 - Quarta-feira
café da manhã: pule essa refeição. O café da manhã é dispensável. Principalmente se você tem o péssimo hábito de comer frutas e cereais. Pulando o café você chegará ao almoço bem mais esfomeada e pronta pra algo bem especial.

almoço: momento esperado. Vá até o Mc Donald's mais próximo e apele. Peça o Mcnífico Bacon acompanhado de batata e refrigerante médio. Essa refeição contém gorduras trans suficientes pra acabar de vez com a sua pele. Nessa altura do campeonato ela já apresenta sinais de esgotamento e espinhas ameaçam sua integridade. Indico dar uma cutucadinha nelas. A vermelhidão dará uma aparência mais salutar ao seu rosto.

jantar: chegue em casa cedo e faça essa refeição com seus filhos. O menu é peixe e brócolis. Tudo bem saudável. Mas como você se esforçou até aqui pode cometer esse pecadinho. Mas capriche na sobremesa. Mousse de maracujá.



Dia 5 - Quinta-feira
café da manhã: mais um Activia. Seu intestino tá com síndrome de apêndice e acha que não serve pra nada. A essa altura você já acha que o Activia é que não serve pra nada, e sua barriga aparenta 4 meses de gestação. O problema é que o que você está gestando não é um bebê.

almoço: êêêêêêêê!!!!! almoço com a melhor companhia do mundo. Isso implica que você fará muitas horas de almoço pra caber tanta risada. Aconselho um rodízio japonês que além de fazer bem pro seu corpo, também fará bem pro seu bolso. Mas não vá pensar em dinheiro nessa hora.
Dica do dia: Beber na hora do almoço. Alcoolizar-se durante o expediente é algo para poucos. Especialmente se for com saquê. Tome todos quanto aguentar e volte pro trabalho. Se você tiver um pouquinho de sorte também pode cruzar com seu chefe no seu retorno às 15:30. Bêbada. Ponto pro programa, que cuida também da sua vida profissional.

jantar: você não vai conseguir jantar porque comeu demais no almoço. Mas quando for umas dez da noite, vai bater uma fomezinha e você não vai jantar a essa hora. Recorra a bisnaguinhas com Nutella. Nutella merece uma atenção especial no nosso roteiro não só pelo incomparável sabor mas também pelo seu valor calórico.


Pronto. Se você conseguiu chegar até aqui, parabéns! Também é importante lembrar que durante todo o período você deve esquecer o caminho da academia ou de qualquer atividade física. Ocupe o tempo que sobrar com atividades do tipo assistir filmes comendo e bebericar em mesas de bar com suas amigas. O chopp é um grande aliado da mulher nessa hora.
Caso você não atinja o resultado almejado nesses 5 dias, pode prolongar o programa indeterminadamente, tomando o cuidado de fazer substituições de valor nutricional equivalentes. Exemplo: Mcnífico Bacon por qualquer pizza que contenha catupiry, folheado de queijo minas por croissant 4 queijos, estrogonoffe por feijoada, saquê por caipirinha de vodka, e por aí vai... Veja a flexibilidade do programa!! E não se preocupe, passada a época da páscoa, os chocolates continuam à venda. Só não tem formato de ovo.
Seguindo religiosamente estes passos, você poderá exterminar de vez esse problema bem lembrado pela Luana e livrar-se de vez do fantasma da beleza que tanto assombra nossas vidas.



quinta-feira, 27 de março de 2008

Serviço de Utilidade Pública

Ana T. acorda cedo, com o nariz completamente entupido e a cabeça doendo e encara um trânsito de uma hora e vinte minutos.
Durante o percurso, alguém que acha que sua vida resume-se ao seu trabalho liga no celular insistentemente para fazer um check-point de pepinos pendentes.
Quando ela finalmente chega na sua mesa, o celular toca de novo. Ela não se conforma com a persistência da pessoa. Atende prestes a berrar logo cedo as razões pelas quais ela deveria ter ficado na cama hoje. Mas para sua surpresa a voz do outro lado da linha grita:
-Mãããããeeee, eles me pegaram!!! Mãeeeeeeeeeeeeeee, me ajuda! Fui assaltado!! Eles me levaram mãe!!!
Ana T. se alegra. Se alegra porque o número que tocou não é seu celular particular e sim o número da empresa. A voz continua a berrar chorosa:
-Mããããeeeee, socorro mããããeee... Eles me assaltaram!!! Estão comigo mãããããeee
Será possível que alguma alma boa numa penitenciária do Rio de Janeiro resolveu salvar o dia de Ana T.? Ela responde:
- Quer falar com a mãe de quem???
A voz chorona permanece impávida. Chorando e berrando. Por um momento ela chegou a pensar que a sequestrada deveria ser a Tathi do Big Brother:
- Mããããããeeee, me ajuda mãeeee, eles me pegaram!!!!! Ahhhhhhhhhh mãeeeeee!!!!!
Ana T. vê sua chance de reverter o mau humor:
- Phopheenho, sua mãe é que deve estar chorando muito de ter um filho tão ordinário e safado como você.
A voz chorona se cala. Ana T. sente aquela alegria estranha como se fosse a velhinha que espantou o ladrão com o guarda-chuva, como se tivesse dado a lição da vida do malfeitor. Mas o malfeitor não se dá por vencido. A última palavra tinha que ser dele. Mas dessa vez a voz não é chorona. É uma voz bem malaca com um sotaque beeemmm carioca:
- Safado eu sou é na cama!!! Safado e ordinário... Quéiz provarrrrr???
Ahahahahahahahahahaahaha. Não é possível que essa pessoa seja tão bacana gente! Proporcionar esse deleite pra Ana T. logo pela manhã??? Ela foi obrigada a responder:
- Faço idéia da mocinha safada que você deve ser aí na cadeia.... hahahahahahahhahahahah Por isso é que você vai apodrecer aí
A generosidade da pessoa chegou no seu limite e ele desligou o telefone.
Agora alguém pufavô me responda: O dia de Ana T. foi salvo por um golpe de bandidos que possuem celular na cadeia???
Garçom, dá uma paradinha aí nesse mundo que eu quero descer...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Calendário Cristão

Feriado da vez: Páscoa.
Obrigação da vez: comprar ovos de chocolate pras pessoas queridas

Esse negócio de ovo de páscoa é um lance bem esquisito mesmo, né? O Gustavo que trabalha comigo e se auto intitula ateu, disse que o tal de Jesus saiu do sepulcro com uma vontade danada de comer chocolate, em forma de ovo e quem iria botar esse ovo era um coelho. Tipo artista quando faz as exigência de camarim: -Quero 340 toalhas brancas, mais mil rosas e uma banheira com champagne francês pra ficar de molho! Eu, cristã, sei que não é nada disso.

Numa sexta feira aí, lá nos tempos de outrora, o cerco se fechou pra Jesus. Ele tava pregando uma mensagem muito contrária a tudo que estava acontecendo lá em Jerusalém. Não que ele fosse contra os judeus. Muito pelo contrário. É que os fariseus - uma linha de judeus da época bem parecida com os políticos da atualidade - viviam numas de faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. Jesus trazia uma mensagem de inclusão. Que Deus não fazia diferença entre o judeu e o pagão. Amava todos igualmente. E que o que mais alegrava a Deus era que aquele que andava no caminho errado, mudasse de rota. Ou seja, ninguém tava condenado. Ele queria passar pra todo mundo a idéia de um Deus que é pai. Que te entende, sabe das suas aflições e angústias e acima de tudo, quer te ver feliz. Não aquele Deus barbudão em cima da nuvem apontando: - Pecador! Os tals dos fariseus não gostaram nadinha daquilo. Se as pessoas começassem a perceber tudo que Jesus ensinava, a coisa não ia ficar nada boa pros hipócritas. Deram um jeito de mandar Jesus prum tribunal e condená-lo. Assim, pra se livrar dele mesmo. O resto da história você já sabe. Os métodos da pena de morte daquela época eram um pouquinho diferentes da injeção letal. Cruz, prego, coroa de espinhos. Mas isso o Mel Gibson já mostrou pra gente mais ou menos como era.

A idéia cristã baseia-se num Jesus que morre mesmo. Vai até o inferno. E volta. Ressussita. Sai do sepulcro e volta pra vida. Vida plena e abundante.

Independentemente da religião de cada um, ou da falta dela, a idéia é bacana. Mostra que um homem, de carne e osso como a gente, conseguiu sair do inferno e voltar pra vida. E o inferno de cada um é diferente. Pode ser uma depressão, uma ausência não superada, um problema de saúde, uma dificuldade financeira... Ninguém pode medir o inferno do outro. Mas a lição é uma só. É possível sair de lá.

Bem mais legal pensar nesse dia assim do que simplesmente pensar que a sexta feira santa é o dia mundial do bacalhau e o domingo de Páscoa é o dia internacional do coelho que põe ovos. De chocolate ainda por cima.
Feliz Páscoa pra vocês... E uma vida plena e abundante de tudo que vocês desejarem

quarta-feira, 19 de março de 2008

3 verbos é pré-requisito no currículo do telemarketing?

da série inutilezas
aguarde um momento, por favor, que um dos nossos atendentes já irá atendê-lo
- prezada cliente, no que posso estar ajudando?
- oi atendente! eu queria falar com Sr. Sistema.
- ahn??????
- o Seu Sistema. Ele está? Ou tá fora?
- oi???
- oi. Então, o Seu Sistema está ou caiu de novo? Aliás, ando muito preocupada com ele viu?? Precisa tomar mais cuidado por onde anda.
- ??
- Verdade, moça. Vira e mexe, pumba. O Sistema cai. Um perigo. Será que ele anda bebendo??? Bom, mas e agora, ele tá por aí?
-Peraí que eu vou estar transferindo. (não sei pra quem, né)
...
aguarda. aguarda.
...
-Prezada cliente, no que posso estar sendo útil?
-então, eu 'tava procurando o Sr. Sistema.
-não tem nenhum Sr Sistema aqui, não, minha senhora.
-ah vá. Num tem?
-É, não. Sr. Sistema nunca trabalhou aqui.
-Estranho, porque é só ligar aí e o problema é sempre com ele. Resolvi falar direto com quem resolve. Ele não tá mesmo?? ... hum... mas ele volta?
- Olha aqui, isso é algum trote?
- Nãoooo, pelamordedeus, eu tô falando sério. Eu já bati muito papo com vc e o seu pessoal. Sabe, nada pessoal, eu até gosto de bater papo e contar pra toooooodo mundo o meu problema várias vezes.
-hum
-Sério mesmo. Gosto. Quase uma terapia. Ficar contando pra todo mundo, expondo a questão. É bom, não guarda, não fica remoendo. Remoer não é bom. Dizem que remoer dá câncer e tudo. Quer que eu te conte também?
-??
-Eu conto, conto. Sem problemas. Que falta de cuidado a minha né?? Já devia ter te contado pra vc não se sentir por fora.
-A senhora pode estar me contando, Dona Cliente, para que eu possa estar te ajudando se eu estiver sabendo a solução.
-Ótimo. Vou te contar, mas só pra vc ficar a par mesmo. Parece que é só com o Seu Sistema, mesmo. Mas vamos lá: alguém daí, que deve ser bem chegada do Sr Sistema me ligou e me ofereceu um telefone e um plano maravilhoso. Eu não aceitei. Estranhamente recebi o telefone no meu endereço com meu nome e dados pessoais escritos num contrato. Te digo que o Sr Sistema pode resolver meu problema porque ele deve ser assim uma espécie de deus que tudo sabe e tudo vê. Porque veja, saber meu endereço, meus dados pessoais sem que eu dissesse nadica pra colega de firma dele???... Após inúmeras tentativas de contato pra devolver o presentão, surpreendentemente, recebi uma carta de cobrança pelo presente. Tô boba. Alguém com tamanhos poderes feito o Senhor Sistema pregar essas pegadinhas na gente??? Já até tentei devolver o presente na loja e tals, mas até lá eles dizem que o problema é do Sistema e não podem se envolver. Agora to aqui tentando falar com o todo poderoso pra ver se entendo melhor
-aahhhh, mas senhora tem que estar solicitando que a empresa busque o aparelho de volta
-Uiaaa, num tinha pensado nisso! Boa! E, então, como eu faço?
-Deixa eu conferir aqui no sistema
-Ah, então o Sistema voltou?? Posso falar com ele?
- … … … bom, o sistema tá dizendo que a senhora precisa pagar a cobrança e será ressacida 24 horas após a devolução do aparelho.
- Tá dizendo isso? Deixa eu falar com ele!
- ...
- Deixa eu falar com o Seu Sistema! Diz uma coisa dessas mas não tem coragem de dizer na cara né??? Fica te usando... Olha, se só ele sabe das coisas, xô falar com ele direto. Eu vou te dizer que vou no Procon, que conheço os direitos do consumidor, ele vai te mandar falar um monte de coisas, e você vai ficar aí no meio só mandando recadinho. Não vai dar certo e aí, pumba, você vai tirar o corpo fora. Com razão. O problema não é seu. É do Sr Sistema. Vc vai me dizer q tá no sistema, e - imagina - quem vai discutir com o Sistema? Ninguém. Bota o Sistema na linha.
-Olha, minha senhora, o Sistema não é uma pessoa, eu não vou estar podendo chamá-lo pra ele estar falando com a senhora...
-Mas é ele que tá atravancando a minha vida! o Sistema. Eu quero uma palavrinha com esse rapaz!

terça-feira, 18 de março de 2008

Mudernidade

Todo mundo é muito moderno.
Pelo menos o mundo que cruza o meu caminho.
Cruza, olha e vai embora.
Às vezes tropeça, finge que nem doeu, e continua andando.
O moderno não se abala.
Não vê o mundo.
É ele, ali, no momento, com ele próprio.
Minha mãe chama isso de egoísmo
Mas ela não conhece os modernos
Às vezes acha um outro alguém, ali, para passar um momento.
Assim, com ele próprio.
O momento passa.
A pessoa passa.
E fica, assim, ali, ele próprio no momento dele.
Casal moderno.
Transa e dorme abraçadinho.
Amanhã o outro alguém e ele próprio acordam e vai cada um pro seu lado.
Qualquer hora dessas eles próprios se cruzam.
Porque assim - os modernos se cruzam por aí.
No sentido físico e bíblico.
Moderno não planeja. Não marca.
Moderno não tem antecedência.
É ali, assim, no momento.
Independente futebol clube.
Moderno não fala em amanhã. E, amanhã, não se falam.
Cada um por si e deus pra todos.
Quando ele próprio cruza com o outro alguém a educação pede
- e modernos são educados -
uma atenção ali, assim, naquele momento.
"oi? tudo bem?" "como ce tá?"
Como se nada tivesse acontecido, fosse acontecer,
pudesse acontecer ou estivesse acontecendo.
O que o ele próprio e o outro alguém tiveram,
ali, naquele outro momento, não é da conta de ninguém.
Nem dele próprio, nem do outro alguém.
Passou.
Este é um país livre.
Tudo muito moderno.
Ele próprio sai andando.
E o outro alguém, que se achava moderna
Fica assim, desconfortável em descobrir-se tão em desuso
Querendo saber quem é que lançou essa tendência
e quando é que o que é bom saiu de moda.
Esbarrando nos modernos
just for fun
e tropeçando na própria hipocrisia.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Matemática pura

Nótícia de hoje na globo.com




Heather Mills sai triunfante de divórcio de Paul McCartney
Modelo vai receber mais de R$ 84 milhões com acordo firmado nesta segunda-feira, 17, em Londres.




Heather Mills saiu do Tribunal Superior de Londres vitoriosa na manhã desta segunda-feira, 17. Ela venceu na batalha por um acordo com Paul McCartney, num divórcio milionário que renderá US$ 48,6 milhões - cerca de R$ 84 milhões - para ela.
McCartney, de 65 anos, e Heather, de 40 anos, se casaram em junho de 2002 e anunciaram a separação quatro anos depois.“Foi um resultado incrível no final. Estou muito feliz que acabou”, disse Heather Mills ao deixar o tribunal. “





Alguém me ajuda aí na conta:



Eles permaneceram casados por 4 anos, que correspondem a 1460 dias.
O Paul tem 65 anos. Gente - sejamos otimistas - vamos imaginar que mesmo estando na terceira idade, e sendo inglês, o Paul seja um puta amante latino e dê lá uma dia sim dia não.
Eu to pirada ou ele pagou 58 mil dólares por trepada?????



Alguém me arruma um marqueteiro pessoal, pufavô?

sexta-feira, 14 de março de 2008

Alguém tem uma piada aí?

Daí que só hoje já perguntaram duas vezes se somos irmãs... Gente... Acho isso meio impressionante. Tudo bem que o amor é quase uma terceira pessoa entre nós, de tão presente, tão tateável. Mas será que isso também é visível pras outras pessoas?
Somos tão amigas que já nem sei se o nome disso é só amizade. Parece até uma definição pequena perto de tudo que sinto por ela. Nos escolhemos por livre e espontânea vontade para dividir tudo o que acontece em nossas vidas. Até que tentamos manter uns segredos, mas as revelações são fatais. E geralmente, engraçadíssimas. Temos nossos momentos de privacidade em que, naturalmente, nos afastamos. Seja por desvio ou até por falta de assunto, porque às vezes acontece mesmo. Mas nada que dure mais que uma tarde. Aí tome planos, piadas, conselhos e risadas. Momentos tristes também acontecem, claro. E não há nada que uma não tente fazer para agradar a outra nessas horas.
A gente pensa muito no amor. No amor ideal. No amor que há de aparecer. Como será o amor? Mas o amor já apareceu. Real. E como tudo que é real, também trouxe dor. Abrimos grandes feridas, expusemos carne, ossos e nervos. E não eram de aço. Mas até isso serviu pra mostrar que nunca deixou de ser amor. A realidade sempre se manteve sob nossos pés. As amigas inseparáveis, com empregos de usar tailleur, filhos lindos e casinhas de vila eram coisa de filme. Nós ficamos com as risadas descontroladas nos lugares mais inapropriados, as descobertas embaraçosas, as vozes engraçadas, as piadas que só nós entendemos... O mundo tem bilhões de pessoas e ninguém, além de nós, vê sentido ou graça nas nossas piadas. Não é lindo isso? Cantamos parabéns 27 vezes, vimos namorados indo e vindo, cachorros fugindo e morrendo. Falhamos, sentimos o coração se partir com tanta força que chegava a dar um terremoto no corpo todo. Mas nunca deixamos de nos amar, mesmo quando achamos que tudo havia acabado.
Já disse que a amo muitas vezes na vida e quando penso em nós duas, questiono alguns amores. Conhecer você fez eu me conhecer melhor. Me sinto acolhida por ela, que nem comer broa de milho na casa da avó e dormir em lençol com cheirinho de casa. Ela me conforta por existir, mesmo que longe, mesmo que ocupada, estressada, chateada. Não temos mesmo sangue, nunca fizemos sexo, não dividimos contas. Não quero ter filhos com ela, só esquentar meus pés nos seus de vez em quando e manter minha escova de dentes a sua disposição.
Mas olha... façam silêncio. Ela tá triste hoje. E assim ela vai ouvir. Leiam baixo pra ela não desconfiar. E ela é desconfiada sim. Tem uma intuição pavorosa. Parece mãe, sempre acerta o que eu tô aprontando. Mas talvez a intuição seja pra compensar a deficiência de visão... Tadinha... Tão linda, escritora talentosa, mulher interessante, culta, educada, filha cuidadosa... Mas seus olhos não podem ver. Ah, e além de tudo isso, ainda acha tempo pra ser a melhor amiga do mundo todo.
Ela merece tudo que ama o tempo todo. Merece que pessoas se joguem no caminho pra tampar as poças de lama. Merece estrogonofe todo dia no jantar. Merece todas as roupas da Farm, todos os all star. Merece um celular que funcione direito e que pare com pegadinha pra cima dela. Merece atendimentos que a escutem e considerem tudo que ela diz. Merece a confiança e o respeito de todos. Mais que isso, o reconhecimento. Merece ser regada todo dia, colocada no sol e adubada, como florzinha que é. E ela merece também tudo que ela espera do amor. Do jeitinho que ela imagina.
Pronto. Agora vocês contem até 10. Mas bem baixinho. E assim que ela acessar essa página, respirem fundo e depois gritem com todo ar que tiverem no pulmão "viva monish!", contem uma piada, façam caretas... Mas façam ela sorrir.
Senão quem chora sou eu.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Eu e o cálculo estequiométrico

No segundo ano do colegial, experimentou a sensação de não conseguir enfiar algo na cabeça. Boa aluna a vida toda, dessas que só tiram nove, ficava em pânico porque não conseguia entender. Até apelou pra professora particular. Aquela coisa de cálculos envolvendo a tabela periódica fugia de toda lógica.
O gosto era o mesmo de quando via prova e nunca sabia a resposta. A professora loira sabatinando... querendo entender a dificuldade. Por mais que estudasse, parecia-lhe que havia um bloqueio. Estava impedida de compreeender. Dez anos depois, o gosto lhe voltava à boca. A boca, o esôfago, o estômago, o tórax inteiro.
A capacidade de adivinhar o que ela queria impressionava. Antecipava seus desejos com tanta agilidade que ela temia ter pensado alto. Dançar era uma de suas maiores diversões. Dançar sozinha. A dois era sempre um esforço. Por mais que relaxasse, se flagrava buscando guiar seu par. Mas ele, vai entender, ele a fazia flutuar. Não por saber guiá-la tão bem, mas porque seguiam os mesmos passos sem ensaio algum. A abertura certa da boca no momento do beijo. A profundidade perfeita da língua. A hora certa de pedir. Ou não pedir. Os movimentos circulares exatos. A falta de pudores. A sobra de tesão. A troca de posição de cabeças olimpicamente cronometrada. A intensidade da mordida, a força das chupadas. Braços nunca esbarravam, pernas não se chocavam. Os dedos sabiam onde estar e a que velocidade agir. Os corpos não tinham peso nem travas. Uma dança que fluía como patins no gelo. Deslizavam um pelo outro, davam piruetas, mortais e voltavam ilesos.
A dança terminava assim que ela fechava a porta da casa dele. Como num cofre, a casa guardava todos os tesouros e segredos. Bastava sair dali que o código se perdia. Por mais que os beijos, as lambidas, os puxões e as dores fossem tão simétricas, aquilo era tudo que tinham um do outro. Queria acreditar que aquela perfeição era mais comum do que imaginava. Em qualquer esquina se encontra. Mas sem querer, já se via quebrando a cabeça para planejar um próximo encontro. Não era pra ser assim. Era pra acontecer naturalmente. Mas não. Exigia esforço, esboços, esquemas. Que nem decorar aquela tabela non sense. Quem nem a tal da estequiometria.
Queria saber a resposta. Sódio, cálcio, ouro. Que diabos era aquilo? Por fim, decidiu criar sua verdade e acreditar no que convinha. Enfiou na cabeça, como quem enfia um elefante num envelope, que ele era um homem daqueles que as revistas femininas alertam sobre. O homem clássico, instintivo, que consegue separar o melhor sexo do mundo de sentimento. Sim, era isso. E se não fosse, não importava. Ia acreditar naquilo. Criar sua própria tabela, definir os elementos, escolher as siglas de uma forma que tudo fizesse sentido. Quem sabe assim aprenderia?
Deixaria tudo que ele dissesse de bom varar seus ouvidos, já que não sabia brincar de licença poética. Estava decepcionada por não ser a mulher moderna que acreditava ser. Irritava não saber responder a si mesma. Era pra ser simples, exato, um fato isolado, como eclipse que acontece às vezes ou um meteoro que leva anos pra passar. Mas queria mais, mesmo sabendo que isso não aconteceria. Complicado como a tabela.
Esperava o telefone tocar. Um sushi, quem sabe. Um cinema, coisa boba. Não. É. É o homem. Aquele das revistas. Gostava dela ali, naquelas poucas horas, entre aquelas quatro paredes, quando ela tocava aquela campainha com uma desculpa lindamente esfarrapada. Em seus braços relaxava. Fora deles, buscava a fórmula para explicar que peça da engrenagem impedia os dois de darem mais um passo.
Maldita química.

terça-feira, 11 de março de 2008

Tarde cheia

Terça-feira. Meio-dia... Paula e Ana Luisa têm a brilhante idéia de almoçar no Bar do Léo.
Duas horas e e oito chopps depois, elas saem serelepes pelo centrão da cidade... O roteiro inclui novos horizontes pra Paula, mas o tempo é curto pra tanta prosa e paisagens. De volta a seus respectivos locais de trabalho:
Paula diz:
are iu der ??
Ana Luisa diz:
êêê
Ana Luisa diz:
aim rier
Ana Luisa diz:
ueitin for iu
Paula diz:
sera que eu to com bafo?
Paula diz:
de breja?
Ana Luisa diz:
não... que isso
Ana Luisa diz:
eu cheguei aqui suando sem o casaquinho
Ana Luisa diz:
aí os meninos já começaram a assobiar e eu fiquei roxa
Ana Luisa diz:
aí já fui logo avisando que tava levemente embriagada pra eles não me encherem os pacovás
Ana Luisa diz:
hihihihihihih
Ana Luisa diz:
(libélula)
Paula diz:
hihihiihih é nova risada?
Ana Luisa diz:
hihihihihi é a risadinha charmosa de libélula
Paula diz:
ja tomei 5 litros de agua, sera que alguem percebeu?
Paula diz:
um menino recebeu um buque de flores
Paula diz:
as pessoas simplesmente tao berrando ate agora
Paula diz:
e minha chefe berrou:
Paula diz:
meninaaaaaaaas, por favor nao mandem flores
Paula diz:
gente é super feio
Ana Luisa diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Paula diz:
hAHHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA
Ana Luisa diz:
zenteee
Ana Luisa diz:
coitado
Paula diz:
coitado do menino
Paula diz:
e da mulher dele ne?
Paula diz:
NEM VCS TA MENINOS
Ana Luisa diz:
a mulher dele em casa achando que abaphô
Paula diz:
FLORES JA ERA
Paula diz:
SE FOR MANDAR ALGUMA COISA MANDA JOIA
Paula diz:
AHAHAHAHHAHAHHAHHA
Ana Luisa diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Paula diz:
tadeenho
Ana Luisa diz:
ó
Ana Luisa diz:
tenho mais um pensamento
Ana Luisa diz:
quer ouvir
Ana Luisa diz:
?
Paula diz:
sisi
Ana Luisa diz:
O problema de não abrir a boca e engolir os sapos é que em boca fechada não entra mosquito. Aí os sapos não tem o que comer e ficam famintos e inquietos no estomago...
Paula diz:
gente
Paula diz:
a libelula ta que ta
Paula diz:
q pensamento eh esse?
Ana Luisa diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ana Luisa diz:
não é demais
Ana Luisa diz:
?
Paula diz:
gente
Ana Luisa diz:
acaba de me ocorrer
Paula diz:
aff
Paula diz:
hahahhaha
Ana Luisa diz:
como engolir sapo se em boca fechada não entra mosquito?
Ana Luisa diz:
os sapinhos morrem de inanição zente
Paula diz:
kkkkkkk
Paula diz:
eu nao fiz metade do que queria fazer em downtown
Ana Luisa diz:
to aqui pensando qual deve ser a trilha sonora da minha tarde
Ana Luisa diz:
meu... vc precisa tirar o dia pra downtown
Paula diz:
sisi
Paula diz:
dei in dauntaum
Ana Luisa diz:
iés - uid mi of córse
Paula diz:
ies
Paula diz:
letis tolk plis
Paula diz:
o q vc ta fazendo que vc nao ta nem um pouco rial
Ana Luisa diz:
souri
Ana Luisa diz:
1 min
Paula diz:
djis DJISAS
Ana Luisa diz:
pronto!!!!
Paula diz:
aff
Paula diz:
olha ai, nem ta rial de novo
Ana Luisa diz:
to sim monish
Ana Luisa diz:
é que apareceu um lance do nada
Ana Luisa diz:
eu to bebada ou essa conversa tá nonsense?
Ana Luisa diz:
ai nid iu tel iu sâmting
Paula diz:
ies
Paula diz:
telmi
Ana Luisa diz:
uma coisa muito engraçada
Ana Luisa diz:
o orestes que trabalha aqui na minha frente tinha um livro com uma capa bem colorida na mesa dele
Ana Luisa diz:
aí pedi pra ver
Ana Luisa diz:
veja o titulo:
Ana Luisa diz:
O DIREITO DE SER FELIZ
Paula diz:
ahahahhahahhahha
Ana Luisa diz:
pelo espírito de scheliida, psicografia de eliana machado coelho
Ana Luisa diz:
sinopse:
Ana Luisa diz:
fernando e regina apaixonam-se. Ele, de família rica, bem posicionada. Ela, de classe média, jovem sensível e espírita
Ana Luisa diz:
Mas o destino começa a pregas suas peças. Movido pela ambição material, fernando decide ir trabalhar na frança, caindo na rede sedutora de Lorena, uma prima que mora em Paris. Regina fica só. O tempo passa, e eles se separam definitivamente. Fernando fica com Lorena, Regina se casa com Jorge. Novos fatos vêm abalar a vida de todos os personagens desta envolvente história
Paula diz:
djis
Paula diz:
mas sera que eles voltam?
Ana Luisa diz:
Por quais caminhos devemos seguir para não cair nas armadilhas da própria invigilância, da imprudência, da traição e das amarras dos vícios que levam à autodestruição? Como encarar a solidão, sobretudo quando perdemos aqueles a quem mais amamos, e tendo ainda de enfrentar a dura realidade da vida?
Paula diz:
to me emocionando
Ana Luisa diz:
Em O DIREITO DE SER FELIZ , o espírito de Schellida mais uma vez nos traz com sabedoria, valiosos ensinamentos sobre temas presentes em nosso cotidiano. Pela psicografia de Eliana Machado Coelho, Schellida nos mostra que ser feliz depende somente de nós, sejam quais forem os obstáculos e as dores enfrentadas na vida
Ana Luisa diz:
aí... veja a parte mais engraçada e pela qual preciso me controlar pra nãoi gargalhar
Ana Luisa diz:
acabo de devolver o livro e orestes me fala:
Ana Luisa diz:
pódeixar que quando eu acabar de ler te passo
Ana Luisa diz:
eu:
Ana Luisa diz:
(cara de choque e pensando como explicar o tempo que passei olhando o livro)
Ana Luisa diz:
ele:
Paula diz:
mas pera
Ana Luisa diz:
é super gostoso de ler... vc conhece um pouco desse assunto?
Ana Luisa diz:
eu:
Paula diz:
a scheliida narra essa historia do ceu?
Ana Luisa diz:
não... não conheço não
Ana Luisa diz:
ele:
Ana Luisa diz:
olha menina... então lê. Esse livro vai te dar uma noção boa
Ana Luisa diz:
djis...(bem disfarçado)
Ana Luisa diz:
querendo gargalhar
Paula diz:
mas me fala
Paula diz:
questiona ele
Paula diz:
a scheliida narra do ceu?
Ana Luisa diz:
meu.. não posso perguntar
Ana Luisa diz:
mas acho que a eliana coelho psicografa o que o espirito da schellida narra ao pé do seu ouvido
Paula diz:
mas nao eh uma historia da scheliida
Paula diz:
eh ideia dela?
Ana Luisa diz:
não... acho que ela é tipo uma escritora pós morte
Ana Luisa diz:
não se conformou com os romances danielle still que escrevia em vida e resolveu soprar mais best sellers no ouvido da pobre eliana coelho
Paula diz:
entendi
Paula diz:
e a eliana, coitada
Paula diz:
por ser sensitiva e mistica
Ana Luisa diz:
sensitiva
Paula diz:
tem que fazer o que lhe mandam
Ana Luisa diz:
e
Ana Luisa diz:
MÉDIUM
Ana Luisa diz:
tem o dom da MEDIUNIDADE
Paula diz:
gargalhadeenha
Ana Luisa diz:
mitchu
Ana Luisa diz:
só de lembrar dessa frase rolo de rir
Ana Luisa diz:
pq lembro da neuza, minha ex sogra dizendo que o fábio tinha o DOM DA MEDIUNIDADE
Ana Luisa diz:
engraçado como as pessoas tem abordagens diferentes a respeito das coisas
Ana Luisa diz:
porque veja
Ana Luisa diz:
se meu filho de 6 anos diz que vê bichos no guarda roupa eu digo pra ele que o bicho papão não existe e pra ele parar de assistir o power rangers porque tá vendo muito monstrengo feio lá
Ana Luisa diz:
já uma pessoa MISTICA E SENSITIVA, ouve o filhinho dizer que tem bicho no guarda roupa e já leva ele no centro pra tomar um passe... tadinho... nasceu com esse dom da mediunidade...
Ana Luisa diz:
pufavô zente!!!
Paula diz:
calaro
Paula diz:
ta vendo os espiritos maus
Paula diz:
cutadinho
Paula diz:
o dom da mediunidade as vezes atrapalha a pessoa
Paula diz:
vc sabe né?
Paula diz:
porque os espíritos estão em todos os locais
Ana Luisa diz:
tem gente que é pirada... ao invés de querer fazer a criança desencanar, bota na cabeça da criança que a criança é mediúnica
Paula diz:
vc consegue imaginar a poluição sonora
Ana Luisa diz:
aí a criança cresce acreditando zente
Paula diz:
eu, por exemplo, conheci uma pessoa que de tão sensitiva andava com aqueles tampões de ouvido de chão de fábrica, manja?
Paula diz:
muito ruído...
Ana Luisa diz:
a pessoa cresce achando que tem O DOM
Ana Luisa diz:
aí começa a querer IMPOR AS MÃOS pra curar
Ana Luisa diz:
se abala quando entra num lugar CARREGADO
Paula diz:
usa tampões de ouvido, como exemplifiquei acima
Ana Luisa diz:
exato
Paula diz:
é dura a vida dessa gente
Ana Luisa diz:
duríssima
Paula diz:
agora perceba
Paula diz:
pq ninguém recebe o espírito da clarice lispector?
Paula diz:
de repente sairia uns livros mais bacanas, nao?
Paula diz:
nelson rodrigues
Ana Luisa diz:
verdade né?
Paula diz:
eu fui na flip ano passado e as pessoas iam amar que o nelsam descesse la
Ana Luisa diz:
será que ninguém ainda pensou nisso?
Paula diz:
o cara homenageado desce em alguém
Paula diz:
bacana demais
Ana Luisa diz:
tentar fazer o contato com essa pessoas?
Paula diz:
essas pessoas são o seguinte
Paula diz:
nunca tiveram tempo pra perder aqui, que dirá no céu
Paula diz:
espírito que baixa é espírito desocupado
Ana Luisa diz:
hmmm... tendi...
Paula diz:
vc devia publicar essa sinopse no seu blog
Paula diz:
acho de extrema relevância para as pessoas terem UMA NOCAO MELHOR do assunto
Ana Luisa diz:
acho que os espiritos que baixam em alguém é porque não encontraram o descanso eterno né? Ana Luisa diz:
senão estariam descansando e não zunindo novelas mexicanas no ouvido de pessoas daqui né? Paula diz:
publica a sinopse
Paula diz:
indica o livro no seu blog
Paula diz:
presta serviço
Ana Luisa diz:
ok... vou prestar esse serviço ao imenso público do blog
Paula diz:
isso
Ana Luisa diz:
ao meu público (angela bismark)
Paula diz:
ja te falei que tem muito fa dessa mulher no mundo
Ana Luisa diz:
então menina... eu zoava quando ela falava com aqueles lábios preenchidos cheios " O MEU PÚBLICO"... mas era verdade...essa mulher tem público
Paula diz:
tem
Paula diz:
eu conheco uma duzia
Paula diz:
te falei que inclusive ela foi citada na aula do nietzsche
Ana Luisa diz:
falou...
Ana Luisa diz:
e eu achando que só se falava dela no SuperPop...
Chega de trabalhar por hoje monish. Vamos pra casa que amanhã é outro dia duro...

Informativo da programação

Zapping no controle remoto

02 – Cultura : Numa roda viva, o deputado do PT, Eduardo Cardozo tenta convencer que as FARC não tem assento nos foros do PT. Mas o foro é aberto – se eles quiserem participar...

04 – SBT : Hebe verte lágrimas emocionadas ao receber o septuagésimo nono Troféu Imprensa das mãos de Silvio Santos. A Hebe, que também usa a argilinha que a Leonor descobriu que passaram nas múmias-freiras encontradas por esses tempos, usava um brinco de cometa até os ombros e explicava que o Troféu Imprensa era a maior honraria que o artista brasileiro pode receber. O OSCAR brasileiro. O Silvio, usuário fiel da argilinha também, enjoou do tom acaju e pediu pro Jassa dar uma escurecida na peruca. Há um tempo atrás, rolava um boato que o Seu Silvio era careca. Não acredito nisso. No máximo implantou uns fios igual ao Zé Dirceu...

05 – GLOBO : Tela Quente. O filme ineditíssimo desta semana é Electra. Boa oportunidade pra assistir esse clássico porque a Jennifer Gardner utilizou seu cachê pra recolher todas as fitas das locadoras tamanho constrangimento.

06 – MTV : João Gordo visita o famosíssimo produtor musical Miranda. Surpreendentemente mais gordo que o próprio Gordo, o entrevistado gargalha contando como foi divertido humilhar candidatos a faço-qualquer-coisa-pra-aparecer atuando como jurado do programa Ídolos. O programa Ídolos, pra quem não sabe (e acho que deve ser muita gente), é um genérico do American Idol e passou no SBT. Em suas duas edições, lançou seus vencedores Leandro(Ru?) e Thaeme(Ru?) no mercado fonográfico. Só por aí já dá pra ter uma idéia do sucesso.

07 – Record : Surpresa total. Ao invés de avistar um pastor fazendo uma sessão do descarrego ou o desencapetamento total, vejo um casal explicando para o repórter a técnica da dança do Créu. A dança do Créu é uma invenção de um MC Carioca pra facilitar o sexo explicito nos bailes funks. Consiste em fazer um movimento no quadril pra frente e pra trás em até – pasmem – 9 velocidades. O MC apresenta-se acompanhado de duas moças conhecidas como Mulher Melancia e Mulher Jaca. Tendo em vista a modalidade da dança, dá pra imaginar o porquê dos apelidos. Sei que o Edir Macedo já parou com esse negócio de chutar Nossa Senhora Aparecida em rede nacional, mas pastor, dança do Créu em horário nobre?

09 – Rede TV: O letreiro no rodapé da tela diz: “POLÊMICA: Pais de João Victor querem que filho de 8 anos frequente faculdade.” Há uns dias atrás, um garoto prestou um vestibular e passou. A dúvida paira entre a genialidade do pequeno enfant e o nível do processo seletivo da notável instituição. Vamos reproduzir o diálogo:
Mãe do prodígio: - Meu filho foi enganado!
Advogado com envergadura moral convidado pra opinar: - As mulheres tem uma percepção acima. Veja que a senhora está pegando o espírito de uma coisa maior!
Luciana Gimenez: É verdade doutor. As mulheres são demais.
Mãe do prodígio: Meu filho fez tudo sozinho. Decidiu prestar o vestibular e prestou. Alguém teria que ter orientado ele!
Ana Luisa se fosse a apresentadora: - “Alguém” no caso não seria a senhora, mãe do pequeno gênio???? Onde a senhora estava quando a criança foi prestar o vestibular? Contatando a produção do Superpop?
Eita... junta as quarenta e cinco mil faculdades novas com os onze milhões buscando 15 minutos de fama... Pronto. Tá feita a pauta pra Gimenez.

13 – Band : ex-repórter da Globo explica, lá na ponte da Amizade, como cruzar a fronteira trazendo remédios falsificados no estepe do carro... Aff.

Pufavô, alguém socorre quem não tem TV a cabo?

segunda-feira, 10 de março de 2008

Novos ares

Tem dia que fica um vento parado dentro de você, que não sabe se vai ou se fica. Aí, pra curar, só vento ventando por fora e ensinado o caminho da corrente pro outro vento sair.
Daí que nem era seu aniversário. Nem era natal... não era dia de nada. Eu tava a toa e inventei moda. Inventei que queria te dar um presente. Claro que você não entendeu nada porque você não entende nada de dar presente sem data marcada. Ainda mais um presente daqueles. Com laço de fita e tudo.
Mas quando a gente dá presente, nem sempre a pessoa usa. Tem alguns que a gente ganha da tia no aniversário e faz aquela cara de ahhhhhhh! não precisava! A tia pensa que você tá sendo educado, mas tá falando a verdade mesmo. Pra comprar aquilo ali, não precisava mesmo. Aí você tem que dar um jeito de usar num domingo no almoço da casa da vó pra não ficar chato. Tem aqueles presentes mais-sem-graça-do-mundo-todo de amigo secreto da firma. Você compra um DVD pra alguém que jamais presentearia e que já sabe exatamente o que vai ter por tras do papel de embrulho natalino porque já escreveu numa lista o que queria ganhar.
Mas nesse caso era diferente. Ou era igual? Educado, você fez que gostou do presente. Mas hesitante, foi até a loja trocar.
A vendedora não te tratou nada bem. Nenhuma vendedora trata bem quem vai fazer troca. Onde já se viu? Mas é direito do consumidor. Fazer o que? Você olhou, olhou, procurou, procurou... Mas enfim, nada te interessou. Nada prendeu seu olhar ou atenção por muito tempo. A loja toda a sua disposição te causou um certo tédio e então você voltou pra casa.
Sem ter muito o que fazer com o presente que não combinava em nada com a sua decoração, encostou ele lá num canto. Qualquer hora a empregada passa distraída e ele se quebra. Temerosa se o objeto era de valor, ela nem comenta o incidente. E você, nem nota. Ela juntou os cacos bem juntados, mandou pro lixo e você - nem percebeu. Se não percebia quando ele tava ali, como é que vai perceber agora que ele não tá?
Passado um tempo, a casa parece estranhamente vazia. Uma falta esquisita do não-sei-o-que em não-sei-qual-lugar.
Tem dia que fica um vento parado dentro de você, que não sabe se vai ou se fica. Aí, pra curar, só vento ventando por fora e ensinado o caminho da corrente pro outro vento sair.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Laife is a diséster

Após uma longa temporada aos prantos, aos berros, com as idéias mais auto-destrutivas e a paciência nos mais perigosos níveis de alerta, parece que sorri. Tenho até medo da razão. Nada nada mudou. Laife istil a diséster. Mas enfim, uma hora o sol dá as caras e a gente faz de conta que o planeta não está esquentando tanto.
Claro que o planeta gira de modo que cada mulher tenha seu próprio tempo de estar a beira de um ataque de nervos. Se o ciclo hormonal de todas as mulheres do mundo coincidisse, a raça humana já estaria extinta e até os animais selvagens e domésticos desejariam a queda de um imenso meteoro que pusesse fim a tamanha aporrinhação.
Em mais uma imensa demontração da misericórdia divina, parece que nossos picos de fúria também não coincidem. Trégua de um para ataque do outro. E enquanto a ciência procura respostas em níveis hormonais, o mundo desaba.
Gente, não adianta. Ainda que regulassem toda a testosterona, com o estrogênio e a serotonina e a adrenalina, o mundo continuaria de cabeça pra baixo. Os homens continuariam egoístas, a top models ainda seriam maravilhosas, o trânsito nos impedindo de chegar na hora marcada, a dona Marisa continuaria colocando Botox as nossas custas e o seu esposo... ah, do seu esposo nem vale a pena comentar pro surto não se manifestar nesse momento. Isso pra ficar nas questões mais superficiais e práticas que nos rondam diariamente. Mas ainda existem as existenciais. Existem as existencias? Aff...
Tudo isso pra concluir que o mundo não é justo. E nosso senso único de justiça nos impede de conviver pacificamente com essa terra. E em algum momento do ciclo, a bomba estoura. Mas ao contrário do que se prega, não procuramos razões pra explodir nesse período. É no resto do tempo que nos distraimos das razões que sobram e saltam. Anos passaram-se para que percebêssemos que não devíamos ser exortadas pela crise mensal hormonal e sim parabenizadas por suportar o mundo com tanta doçura no resto do mês.
Hoje, enquanto eu voltava do trabalho, no trânsito, tocou essa música. Imediatamente pensei em você, pensei em mim e pensei no que o mundo nos reserva. Pra você, reproduzo as palavras...como uma ponta de esperança.
Existirá, em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá todo farol iluminará
Uma ponta de esperança
E se virá, será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá, toda certeza vã, não sobrará
Pedra sobre pedra
Enquanto isso não nos custa insistir
Na questão do desejo, não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê que o inferno é aqui
Existirá
E toda raça então experimentará
Para todo mal a cura

quarta-feira, 5 de março de 2008

Cinco de março

Nasce o esperado. A expectativa torna-se, então, um bebê. Aquelas roupinhas, aquele quarto, aqueles seios que incharam leitosos assumem suas funções. No seu caso João - já que você é o primogênito - mamãe e papai, vovós e vovôs, titias e titios, foram acrescentados desses títulos, com os quais serão designados daqui pra frente. É um novo elo entre as famílias, um ser inaugural.
Ser bebê é aventurar-se em mar incerto, sem poder fazer outra coisa a não ser iniciar a viagem. é irromper, chegada a hora, e berrar, anunciar-se, impor-se, eclipsar tudo. É ocupar, com a novidade de um ser, um espaço de afeto, e ampliá-lo a cada bocejo, choro, olhar, esperneio ou suspiro.
É apresentar-se poderoso e frágil ao mesmo tempo. De todos fazer vassalos - tornar submissa a que manda e esperta a que vacila, e no entanto, depender de mão que lhe chegue o manto, de proteção, de olhos insones. É ter o poder de transformar a menina de ontem, a quem era necessário aconselhar tudo, em instintiva, sábia mãe.
Ser bebê é desconhecer, como só os ricos podem, que a vida está cara, o pão está difícil, a condução não pode vir. E é depender como os pobres, de quem lhe dê leite, saúde e higiene. Escuta uma coisa menino, dorme e escuta, e no sono aprende, prepara-te:
Chegaste em um momento em que temos muitas dúvidas. Em que possuímos muitas coisas que outros não têm e não terão, e isso não nos irmana. Antes, nos separa. E inseguros e ansiosos, buscamos ter mais, e assim alargamos o fosso.
A violência nos assusta. Ainda não temos, pequeno, remédio para isso.
Jovens sem rumo rabiscam seus desafios em linguagem cifrada nos muros e nas fachadas. Não temos ainda, querido, instrumentos que resolvam o conflito entre a carência e o desperdício. Perdemos um pouco da gentileza que adoçava o convívio. Brigamos com o telemarketing, com os motoboys... No trânsito nos desafiamos em buzinas de guerra. O entretenimento busca satisfazer o primário em nós. Nosso trabalho transformou-se em carreira, o que já pressupõe angústias - sucesso ou fracasso. Temos de escolher presidente, e a política, menino, soma-se a tantas outras hesitações.
Nasceste, és boa nova. Entre as tuas mágicas, realiza a de eclipsar o feio. A lição otimista se completa com as palavras do poeta, João Cabral de Melo Neto, que associa o belo ao recém-nascido: "Belo porque com o novo / todo o velho contagia."
Renovação é o sentido dos bebês.
Esperança é o que nos anima quando pensamos na trabalheira que deixamos pra ele...