De você sei quase nada.
Pra onde vai ou porque veio.
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada no meu caminho?
Será um atalho? Ou um desvio?
Um rio raso? Um passo em falso?
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo
Noite alta que revele um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
Se tudo passa, como se explica o amor que fica nessa parada.
De amor que chega sem dar aviso não é preciso saber mais nada
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Parece Domingo
Quando você for dormir
Não se esqueça de lembrar
Tudo que aconteceu
Da aurora até o luar
Olho de janela
Nuvem de algodão
Pele de flanela
Sopa de vulcão
Borda de caneca
Bola de papel
Ferro na boneca
Lágrima de mel
Toda noite lembra o que aconteceu de dia
Sonha para o sono vir
Quando você for dormir
Quando você se deitar
Deixa o pensamento ir
Sem ter nunca que voltar
Música vermelha
Pássaro de flor
Chuva sobre a telha
Beijo de vapor
Riso no escuro
Lua de beber
Voz detrás do muro
Medo de morrer
Toda noite cria o que acontecerá de dia
Para o novo dia vir
Não se esqueça de lembrar
Tudo que aconteceu
Da aurora até o luar
Olho de janela
Nuvem de algodão
Pele de flanela
Sopa de vulcão
Borda de caneca
Bola de papel
Ferro na boneca
Lágrima de mel
Toda noite lembra o que aconteceu de dia
Sonha para o sono vir
Quando você for dormir
Quando você se deitar
Deixa o pensamento ir
Sem ter nunca que voltar
Música vermelha
Pássaro de flor
Chuva sobre a telha
Beijo de vapor
Riso no escuro
Lua de beber
Voz detrás do muro
Medo de morrer
Toda noite cria o que acontecerá de dia
Para o novo dia vir
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Que Tudo se Realize no Ano que Vai Nascer - ou Seria na Ana que Vai Nascer?
Com a proximidade da virada do ano, somos todos contagiados pela sensação de mudanças. Claro que depois do dia 31, tudo que fica é a ressaca da festa, mas ainda sim insistimos nas resoluções pro ano que se aproxima. Parar de fumar, beber menos, abandonar definitivamente o sedentarismo e desacomodar-se para um trabalho que te dê prazer são clássicos que figuram praticamente todas as listas, de todas as pessoas que insistem em fazer listas, todos os anos. Ou seja, se os ítens são os mesmos, significa que no ano anterior a resolução não foi cumprida e tudo que nos resta é a boa intenção (ou a cara de pau) de tentar mais uma vez.
Nós, que pertencemos ao clube das desventuradas amorosas, sempre aproveitamos o ensejo pra nos comprometermos com uma causa maior. Usamos o fim de ano como uma espécie de purificação em nossa caminhada em direção à luz. Sim, no próximo ano estaremos iluminadas! Nossa causa é nobre e digna. Pularemos as sete ondas com a mão no coração (e não vai ser pra segurar o peito porque só compramos blusas que dêem pra usar com sutiã), para que em 2008 sejamos novas mulheres. O problema é que todo ano é a mesma coisa...
Mas esse ano terá que ser diferente. Nossa categoria está de luto. Aguardamos preocupadíssimas o lançamento de Sex and the City. Se realmente Carrie Bradshow se casar com Mr. Big no filme, será nosso fim. Logo você, Sarah Jessica Parker? Representante máxima das desventuradas! Se até você vai sucumbir ao formato "e eles se casaram e foram felizes para sempre", nossa existência estará comprometida. Afinal é consolador saber que Carrie Bradshow linda, bem vestida e bem sucedida (exatamente como cada uma de nós) padece do mesmo mal que nos intriga.
Em 2008 mudaremos nossa perspectiva sobre essa questão. Ela não mais ocupará tanto espaço no nosso HD. Preocuparemo-nos com nossa carreira profissional, com o aquecimento global, com a economia mundial, com o mico-leão dourado, com a ação da gravidade sobre nosso bumbum e até com quem vai ser o próximo eliminado do Big Brother. Mas jamais, em hipótese alguma, perderemos o sono caso ele não nos ligue no dia seguinte.
É um pedido simples. Uma ítem apenas na listinha. Fomos boas meninas. Não parcelamos nossas compras no cartão, não faltamos na drenagem e nem na academia (hihihhih... esses são ítens pra outras listas). E nossas faltas não são muitas. Cultivamos o ódio apenas por pessoas que usam adesivos nas unhas, saias assimétricas, celulares com meinhas, anéis nos dedos dos pés, cavanhaques... aiiiiii...tá. Chega... Só por isso.
No mais é isso aí. Saúde. Paz. Dinheiro. Pra você, pra mim e pra todo mundo. Ah! E amor... Amor a gente quer também. Todo mundo quer. All we need is love. Em 2008 e na vida inteira. Feliz ano novo.Nós, que pertencemos ao clube das desventuradas amorosas, sempre aproveitamos o ensejo pra nos comprometermos com uma causa maior. Usamos o fim de ano como uma espécie de purificação em nossa caminhada em direção à luz. Sim, no próximo ano estaremos iluminadas! Nossa causa é nobre e digna. Pularemos as sete ondas com a mão no coração (e não vai ser pra segurar o peito porque só compramos blusas que dêem pra usar com sutiã), para que em 2008 sejamos novas mulheres. O problema é que todo ano é a mesma coisa...
Mas esse ano terá que ser diferente. Nossa categoria está de luto. Aguardamos preocupadíssimas o lançamento de Sex and the City. Se realmente Carrie Bradshow se casar com Mr. Big no filme, será nosso fim. Logo você, Sarah Jessica Parker? Representante máxima das desventuradas! Se até você vai sucumbir ao formato "e eles se casaram e foram felizes para sempre", nossa existência estará comprometida. Afinal é consolador saber que Carrie Bradshow linda, bem vestida e bem sucedida (exatamente como cada uma de nós) padece do mesmo mal que nos intriga.
Em 2008 mudaremos nossa perspectiva sobre essa questão. Ela não mais ocupará tanto espaço no nosso HD. Preocuparemo-nos com nossa carreira profissional, com o aquecimento global, com a economia mundial, com o mico-leão dourado, com a ação da gravidade sobre nosso bumbum e até com quem vai ser o próximo eliminado do Big Brother. Mas jamais, em hipótese alguma, perderemos o sono caso ele não nos ligue no dia seguinte.
É um pedido simples. Uma ítem apenas na listinha. Fomos boas meninas. Não parcelamos nossas compras no cartão, não faltamos na drenagem e nem na academia (hihihhih... esses são ítens pra outras listas). E nossas faltas não são muitas. Cultivamos o ódio apenas por pessoas que usam adesivos nas unhas, saias assimétricas, celulares com meinhas, anéis nos dedos dos pés, cavanhaques... aiiiiii...tá. Chega... Só por isso.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Baldeando
Da plataforma dá pra ver como os ratos são capazes de entrar em lugares minúsculos. Aliás, a plataforma do trem é o único lugar que te permite observar os ratos com um certo encantamento. Você não se preocupa porque sabe que eles estão lá embaixo nos trilhos e não chegarão até você de jeito algum.
A estação da Luz é a que tem mais enlevo. Talvez por aquela construção do século passado. Não que ela combine com os trens espanhóis azuis, muito menos com aqueles prateados sem janela. Mas aos olhos parece menos prosaica. Enche mais. Ainda que o trem não saia de trás de montanhas azuis e nem faça piuí abacaxi.
Se você não estiver com pressa ou esgotado por mais um dia longo vai ter muito o que olhar.
Quando o trem se aproxima, os que pretendem descer, inimigos dos que pretendem entrar, aproximam-se da porta mostrando que o embate está próximo. Claro que se os que pretendem embarcar entendessem que seria mais fácil subir quando os que estão no vagão desembarcarem, o conflito não existiria. Mas é compreensível. A maioria dos que embarcam e desembarcam já estão na terceira, quarta condução no dia. Ou ainda na primeira, de todas as outras que ainda pegarão.
Observe que o trem está lotado, mas quase todos não estão ali. Estão longe. Em seus mundos. Olhando algum ponto sem ver nada. Com seus fones de ouvido e seus livros. Sim. Muitos lêem no trem. De Danielle Steel a Matemática Avançada. Será que os passageiros são mais letrados que os que estão presos no trânsito? Afinal, se dedicam uma ou duas horas por dia à leitura enquanto os que estão no trânsito podem no máximo escutar as notícias da última hora, devem mesmo ser mais eruditos...
Outros fazem dos vagões seu meio de vida. As atividades são variadas. Há os que fazem discursos sobre doenças, pedindo ajuda para os remédios, leite dos filhos e que sempre dizem que não estariam pedindo se tivessem um trabalho. Aleijados, coxos, cegos. Os vendedores são clandestinos. O comércio é ilegal. Entram no vagão com suas mercadorias dentro da mochila para que elas não sejam apreendidas pelos vigilantes nas plataformas. As mercadorias também são inusitadas. Chocolates, pastilhas para garganta, tabuada, cortadores de unha... Há os que com a bíblia em punho, usam o trem pra evangelizar. Exortam os passageiros à conversão. E outros, atentos à desatenção de outros, esperam o momento certo de levar uma carteira ou um celular...
Se o horário for de pico, a missão requer certa dose de coragem. É possível que você passe a viagem toda sem mexer sequer um dedo. Não dá. Caso você tire o pé do chão, é possível que não encontre mais o chão para apoiar-se.
Na espera, inevitável é pensar na possibilidade iminente de alguém pular nos trilhos.
Tudo tem. Tudo trem.
A estação da Luz é a que tem mais enlevo. Talvez por aquela construção do século passado. Não que ela combine com os trens espanhóis azuis, muito menos com aqueles prateados sem janela. Mas aos olhos parece menos prosaica. Enche mais. Ainda que o trem não saia de trás de montanhas azuis e nem faça piuí abacaxi.
Se você não estiver com pressa ou esgotado por mais um dia longo vai ter muito o que olhar.
Quando o trem se aproxima, os que pretendem descer, inimigos dos que pretendem entrar, aproximam-se da porta mostrando que o embate está próximo. Claro que se os que pretendem embarcar entendessem que seria mais fácil subir quando os que estão no vagão desembarcarem, o conflito não existiria. Mas é compreensível. A maioria dos que embarcam e desembarcam já estão na terceira, quarta condução no dia. Ou ainda na primeira, de todas as outras que ainda pegarão.
Observe que o trem está lotado, mas quase todos não estão ali. Estão longe. Em seus mundos. Olhando algum ponto sem ver nada. Com seus fones de ouvido e seus livros. Sim. Muitos lêem no trem. De Danielle Steel a Matemática Avançada. Será que os passageiros são mais letrados que os que estão presos no trânsito? Afinal, se dedicam uma ou duas horas por dia à leitura enquanto os que estão no trânsito podem no máximo escutar as notícias da última hora, devem mesmo ser mais eruditos...
Outros fazem dos vagões seu meio de vida. As atividades são variadas. Há os que fazem discursos sobre doenças, pedindo ajuda para os remédios, leite dos filhos e que sempre dizem que não estariam pedindo se tivessem um trabalho. Aleijados, coxos, cegos. Os vendedores são clandestinos. O comércio é ilegal. Entram no vagão com suas mercadorias dentro da mochila para que elas não sejam apreendidas pelos vigilantes nas plataformas. As mercadorias também são inusitadas. Chocolates, pastilhas para garganta, tabuada, cortadores de unha... Há os que com a bíblia em punho, usam o trem pra evangelizar. Exortam os passageiros à conversão. E outros, atentos à desatenção de outros, esperam o momento certo de levar uma carteira ou um celular...
Se o horário for de pico, a missão requer certa dose de coragem. É possível que você passe a viagem toda sem mexer sequer um dedo. Não dá. Caso você tire o pé do chão, é possível que não encontre mais o chão para apoiar-se.
Na espera, inevitável é pensar na possibilidade iminente de alguém pular nos trilhos.
Tudo tem. Tudo trem.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Ana Banana S/A
De todas as coisas que gostaria de deixar em 2007, você certamente está no pódium. O problema é que vc também está em primeiro lugar de várias outras listas.
Não sei se eu inventei essa mania por você. Capricho. Mas sei que tá virando cacoete. Sério. Sabe cacoete que nem terapia cura? Como virar os olhos ao falar, ou passar a língua nos lábios a cada 5 segundos... Afe. Cacoete é uma coisa meio bizarra. E quando olho pra mim, acabo tendo a mesma impressão. Será que é tão estranho assim gostar de você? Que parte dessa história parece tão maluca? Em que momento virei aberração?
Se fui eu que inventei, tenho que saber desinventar. Não que eu espere voltar onde um dia estive. Só quero colocá-lo no lugar de onde o tirei. Despromovê-lo. Porque não é possível despedí-lo da minha vida. Você está nela. Definitivo. Mas essa história de despromover é difícil. Veja se alguma empresa despromove o funcionário de chefe pra subalterno? Só se demiti-lo. Mais fácil seria se você resolvesse me promover...
Tá vendo como eu penso nessa possibilidade? É só me distrair e o assunto muda de pólo. Da sua demissão pra minha promoção. Será que é preguiça minha? Pode ser. Eu sempre fui meio preguiçosa mesmo. Deixar de gostar de você dá um trabalho... Seria melhor você ficar com todo o trabalho. Nesse caso, o trabalho de gostar de mim.
Daqui pro próximo ano, nos veremos algumas vezes. Não sei se vou conseguir reduzir sua jornada. Isso implica em redução salarial e é difícil não aboná-lo. Não que você mereça, afinal só enrolou durante todo o ano. Se a empresa teve algum lucro (e se teve foi bem pequeno), você não teve participação. Ainda sim vou tentar.
Essas serão as diretrizes pro próximo ano... Colabora que coloco sua foto no quadrinho de funcionário do mês.
Não sei se eu inventei essa mania por você. Capricho. Mas sei que tá virando cacoete. Sério. Sabe cacoete que nem terapia cura? Como virar os olhos ao falar, ou passar a língua nos lábios a cada 5 segundos... Afe. Cacoete é uma coisa meio bizarra. E quando olho pra mim, acabo tendo a mesma impressão. Será que é tão estranho assim gostar de você? Que parte dessa história parece tão maluca? Em que momento virei aberração?
Se fui eu que inventei, tenho que saber desinventar. Não que eu espere voltar onde um dia estive. Só quero colocá-lo no lugar de onde o tirei. Despromovê-lo. Porque não é possível despedí-lo da minha vida. Você está nela. Definitivo. Mas essa história de despromover é difícil. Veja se alguma empresa despromove o funcionário de chefe pra subalterno? Só se demiti-lo. Mais fácil seria se você resolvesse me promover...
Tá vendo como eu penso nessa possibilidade? É só me distrair e o assunto muda de pólo. Da sua demissão pra minha promoção. Será que é preguiça minha? Pode ser. Eu sempre fui meio preguiçosa mesmo. Deixar de gostar de você dá um trabalho... Seria melhor você ficar com todo o trabalho. Nesse caso, o trabalho de gostar de mim.
Daqui pro próximo ano, nos veremos algumas vezes. Não sei se vou conseguir reduzir sua jornada. Isso implica em redução salarial e é difícil não aboná-lo. Não que você mereça, afinal só enrolou durante todo o ano. Se a empresa teve algum lucro (e se teve foi bem pequeno), você não teve participação. Ainda sim vou tentar.
Essas serão as diretrizes pro próximo ano... Colabora que coloco sua foto no quadrinho de funcionário do mês.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Porque te ver confirma o que sei
Até parece que não lembra
que não sabe o que passou
Olha pra mim
Não faz de conta que não pensa
em outra chance pra nós dois
Não faz assim
Não me torture, não simule
não me cure de você
Deixa o amanhã dizer
que não sabe o que passou
Olha pra mim
Não faz de conta que não pensa
em outra chance pra nós dois
Não faz assim
Não me torture, não simule
não me cure de você
Deixa o amanhã dizer
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Amores que chegam em dezembro
Você metade gente
e metade cavalo
Durante o fim do ano
cruza o planetário
Cavalga elegância
Cabeça em pé de guerra mansa
Nas mãos arco e flecha
Meu coração
Aguarda e acompanha
seu itinerário
Até o fim do ano
ser de sagitário
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Pra comer de colher
Quando a gente faz brigadeiro, tudo que precisa é prestar atenção pra de não deixar passar do ponto. O ponto do brigadeiro é bem simples: a gente vira a panela de um lado pro outro e observa se ele tá descolando do fundo. Descolou, pronto. É só tirar do fogo e tentar esperar esfriar. Normalmente não consegue. Come quente mesmo.
Com a gente, não sei porque desandou. Nem sei em que momento a gente passou do ponto. Talvez o descompasso tenha sido na hora de abrandar o fogo. Brigadeiro bem feito é cozido em fogo brando. E o nosso era inconstante. Só abrandava na distância. E brigadeiro você sabe, se der aquela sapecadinha, o gosto de queimado fica no doce todo.
Caso a gente coloque os ingredientes na panela de novo, é melhor definir antes quem é que vai mexer. E ficar atento no ponto. E se caso acertar a mão, vai com calma. Vê se não vai queimar a boca.
Com a gente, não sei porque desandou. Nem sei em que momento a gente passou do ponto. Talvez o descompasso tenha sido na hora de abrandar o fogo. Brigadeiro bem feito é cozido em fogo brando. E o nosso era inconstante. Só abrandava na distância. E brigadeiro você sabe, se der aquela sapecadinha, o gosto de queimado fica no doce todo.
Caso a gente coloque os ingredientes na panela de novo, é melhor definir antes quem é que vai mexer. E ficar atento no ponto. E se caso acertar a mão, vai com calma. Vê se não vai queimar a boca.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Sampa
O prédio fica na esquina da Basílio com a Avenida São Luiz. Da sacada dá pra ver o Edifício Itália, a praça da República e a Avenida Ipiranga. Tem gente que diz que sou pirada. Uma praça cheia de mendigos, uma avenida de trânsito caótico, tanta gente. Acho tudo lindo. O pé direito é enorme. A cortina é branca e bem comprida, acompanhando todos aqueles infindáveis vidros do teto ao chão. Oscar Niemeyer. Pouca gente sabe, mas o prédio saiu de seus desenhos.
Bem embaixo tem uma banca enorme, daquelas com todas as revistas importadas necessárias pra nossa sobrevivência. Tem uma lanchonete que faz aquele sanduíche de queijo minas quente no pão integral e o suco de açaí com laranja. Sem açúcar. Nem preciso dizer. O Marcos já sabe. -O de sempre? Tudo isso pela bagatela de 5,70... O sabor é real. A beleza também. Não é o luxo fake dos jardins. Arquitetura, gente, pouca cor e muita dor. É pecado ver beleza?
Dali eu posso partir pra qualquer lugar. Posso pegar o metrô pra Liberdade depois de assistir a missa no mosteiro de São Bento. De metrô também vou ao Masp e na Fnac com le petit enfant. Se for de carro, vou ao cinema, na sua casa e no Bar do Léo que tem o único chopp que me dá um prazer incrível de tomar e me tornou habituee de suas mesas. Mas bom mesmo só se a Paula for.
Surpreendentemente me sinto segura em seus arredores. Não aperto o passo. Seguro a bolsa, mas acho que isso já virou cacoete de paulistana. Não tenho medo. Embora muitos estejam desesperados por qualquer coisa que possam trocar por uma pedra, a maioria só escolheu o centro como estilo de vida. Temos algo em comum.
Bem embaixo tem uma banca enorme, daquelas com todas as revistas importadas necessárias pra nossa sobrevivência. Tem uma lanchonete que faz aquele sanduíche de queijo minas quente no pão integral e o suco de açaí com laranja. Sem açúcar. Nem preciso dizer. O Marcos já sabe. -O de sempre? Tudo isso pela bagatela de 5,70... O sabor é real. A beleza também. Não é o luxo fake dos jardins. Arquitetura, gente, pouca cor e muita dor. É pecado ver beleza?
Dali eu posso partir pra qualquer lugar. Posso pegar o metrô pra Liberdade depois de assistir a missa no mosteiro de São Bento. De metrô também vou ao Masp e na Fnac com le petit enfant. Se for de carro, vou ao cinema, na sua casa e no Bar do Léo que tem o único chopp que me dá um prazer incrível de tomar e me tornou habituee de suas mesas. Mas bom mesmo só se a Paula for.
Surpreendentemente me sinto segura em seus arredores. Não aperto o passo. Seguro a bolsa, mas acho que isso já virou cacoete de paulistana. Não tenho medo. Embora muitos estejam desesperados por qualquer coisa que possam trocar por uma pedra, a maioria só escolheu o centro como estilo de vida. Temos algo em comum.
Quinzenalmente as crianças estão fora. A esse formato eu já me acostumei. Se quiser você pode até dormir aqui. Se a gente acordar mais animado, estamos a alguns passos da casa de todas as casas. Dá pra ir a pé. Só pra conferir a elegância nada discreta das nossas meninas. Nosso love tem muito story.
Pela manhã, bate um solzinho na sacada e tomo o café ali lendo o jornal. A notícias são as mesmas. Gente que rouba, gente que mata. Bolsa que sobe, bolsa que desce. Mas estou sozinha. Ainda que você não tenha ido embora, não me atreveria a acordá-lo. Dormir pouco é coisa minha. Coisa de mãe. Coisa de mãe que mora no centro.
Não sei até quando ficarei por aqui. Talvez o aluguel suba demais. Talvez o trânsito me obrigue a morar perto da escola das crianças. Mas enquanto isso eu vou ficando. Na confusão, no concreto, no cinza. Enquanto alguma coisa acontecer no meu coração.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Só pode estar faltando alguma coisa
Quanto pesa uma palavra?
100 gramas, 3 quilos ou 1 tonelada?
Depende da balança do ouvido
ou da boca que deveria estar fechada?
A balança do ouvido
é como impressão digital
cada um tem a sua
e a de ninguém é igual.
Se o ouvido tem balança
por que que a boca não tem?
poderíamos pesar as palavras
pra não dizer o que não convém.
Boca e ouvido
todos os dois tem balança
o problema é a regulagem
varia demais e causa a lambança.
Não regular as balanças
de Deus deve ser pegadinha
Pra ficar sentado na nuvem
nas horas vagas tirando casquinha.
Todo mundo ecoa
palavra leve ou palavra pesada
mas a balança nunca alerta
se causará choro se causará risada.
Se o problema da balança
é assunto da boca e do ouvido,
por que é que a palavra solta
deixa mesmo é o coração doído?
A mesma palavrinha
pode variar peso e volume
depende da importância do dono da boca
no coração de quem não está imune.
Remetente e destinatário
também apresentam balança incompatível
a conclusão a que se chega
é que a comunicação é mesmo impossível
Aquele lance da Torre de Babel
rolou lá nos tempos de outrora
só pode ser maldição das bravas
tanta linha cruzada até agora.
Enquanto isso vamos tentando
pesa fala pesa escuta
aguardando que a balança seja equiparada
pra nossa conversa deixar de ser luta.
100 gramas, 3 quilos ou 1 tonelada?
Depende da balança do ouvido
ou da boca que deveria estar fechada?
A balança do ouvido
é como impressão digital
cada um tem a sua
e a de ninguém é igual.
Se o ouvido tem balança
por que que a boca não tem?
poderíamos pesar as palavras
pra não dizer o que não convém.
Boca e ouvido
todos os dois tem balança
o problema é a regulagem
varia demais e causa a lambança.
Não regular as balanças
de Deus deve ser pegadinha
Pra ficar sentado na nuvem
nas horas vagas tirando casquinha.
Todo mundo ecoa
palavra leve ou palavra pesada
mas a balança nunca alerta
se causará choro se causará risada.
Se o problema da balança
é assunto da boca e do ouvido,
por que é que a palavra solta
deixa mesmo é o coração doído?
A mesma palavrinha
pode variar peso e volume
depende da importância do dono da boca
no coração de quem não está imune.
Remetente e destinatário
também apresentam balança incompatível
a conclusão a que se chega
é que a comunicação é mesmo impossível
Aquele lance da Torre de Babel
rolou lá nos tempos de outrora
só pode ser maldição das bravas
tanta linha cruzada até agora.
Enquanto isso vamos tentando
pesa fala pesa escuta
aguardando que a balança seja equiparada
pra nossa conversa deixar de ser luta.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Era uma vez...
Sempre ficava frustrada quando as histórias acabavam. Sempre a mesma coisa. Sempre o mesmo final que não é o final. Nos livros, nos filmes ou nas novelas, sempre o mesmo the end.
Nas fábulas o papo era sempre o mesmo: ... e eles foram felizes para sempre! E eu ficava lá, elocubrando quantos filhos a cinderela teve, se ela tinha problemas de relacionamento com a sogra rainha, se o corpinho dela continuou igual depois da gravidez...
E as novelas? Alguém duvida que no último capítulo vai ter um casamento lindo, campestre, igreja lotada de flores e de gente num lindo dia de sol? Mas e depois querido autor, o que acontece? As Helenas não se irritam quando seus formosos esposos chegam tarde em casa sem avisar? O Carlos Henrique nunca tem problemas de grana e fica sem saber como pagar a mensalidade da escola das crianças?
Mas afinal, quando é que é esse final?
A maioria da mulheres que conheço - e das que não conheço também - já nascem sonhando com esse momento. O momento do final feliz. O momento glorioso do the end. O dia em que serão finalmente felizes para sempre. Como também leram todas as fábulas e assistiram a todas as novelas, normalmente em suas cabecinhas, esse momento confunde-se com o dia em que encontrarão seu príncipe, sua alma gêmea. Eleitos para quem devotarão suas miseráveis existências. Fico me perguntando - será que elas não ficavam curiosas pra saber o que vinha depois? Ou será que é o contrário? Ficaram tão curiosas que passaram a correr desesperadamente afim de desvendar tal mistério?
Misteriosa também, é a interpretação que o mulheril fez da frase final. Onde se lê foram felizes para sempre leram: só foram felizes a partir desse momento. Desde então o dogma é seguido de geração em geração. Até esse grande dia, nada de ser feliz. A vida fica dividida em A.P. e D.P. Antes e depois do príncipe. Antes, lêem artigos e mais artigos de como conquistá-lo, de onde encontrá-lo, de como reconhecê-lo e infindáveis variações sobre o mesmo tema. Quando o ilustre candidato a tão aspirado posto surge, vêm os testes. Testam nas mesmas elevadas publicações se ele é o homem ideal, se é fiel, se o santo bate... Os conselhos tornam-se mantras. Nada de sexo no primeiro encontro e nada de dizer claramente o que pensa e sente pra não assustar o promissor possuidor da chave dos seus futuros dias felizes. Os dias que compõe a era antes alternam-se entre a agonia do telefone que não toca e os planos cor-de-rosa do nome dos filhos e da casa de praia que terão.
Outro ponto que merece investigação é o porquê das mulheres que pertencem a Era D.P. não esclarecerem esse mal entendido para as que pertecem a Era A.P. Elas já sabem! Já sabem que talvez, depois do gran finale, elas não serão tão felizes assim. Já sabem o que vem depois. O príncipe não quer saber de ajudar a olhar as crianças, a Cinderela não tem mais tempo para se encontrar com as amigas, o sexo fica meio arroz com feijão, o príncipe não repara que a Cinderela mudou o visual, o dinheiro não dá pra fazer uma viagem de lua-de-mel por ano... Não que isso tudo aconteça em todos os castelos e não que isso tudo torne as Cinderelas mais ou menos felizes. Mas peloamordedeus - esperar todo esse tempo pra ser feliz? E se o príncipe não aparece? E se o príncipe aparece mas depois do the end vira um baita sapo?
Algumas sócias generosas do seleto grupo das felizes para sempre (normalmente as mães), até tentam alertar as que estão na busca: Menina, a coisa não é bem assim! O céu não é de brigadeiro! Viva feliz hoje! Saia com as amigas, enfie o pé na jaca, dê para o maior número de homens interessantes possíveis, experimente, viaje, estude! Claro que a trama desses cérebros foi tecida com linha forte, daquelas grossas, pretas que alerta nenhum consegue afrouxar e elas continuam com o pensamento viciado na infelicidade de não terem encontrado o príncipe. Nem reparam como já dava pra ser feliz... Com príncipe, sem príncipe, com sapo, sem sapo, com anões, madrasta, grilo falante, fada madrinha, ou qualquer outro personagem que esteja nas suas fábulas.
Claro que pra mim é fácil falar de tudo isso já que não tenho um, mas dois príncipes: João e Bento. Um mais encantado que o outro. E embora minha vida não tenha chegado no the end, eu já comecei a ser feliz para sempre.
Nas fábulas o papo era sempre o mesmo: ... e eles foram felizes para sempre! E eu ficava lá, elocubrando quantos filhos a cinderela teve, se ela tinha problemas de relacionamento com a sogra rainha, se o corpinho dela continuou igual depois da gravidez...
E as novelas? Alguém duvida que no último capítulo vai ter um casamento lindo, campestre, igreja lotada de flores e de gente num lindo dia de sol? Mas e depois querido autor, o que acontece? As Helenas não se irritam quando seus formosos esposos chegam tarde em casa sem avisar? O Carlos Henrique nunca tem problemas de grana e fica sem saber como pagar a mensalidade da escola das crianças?
Mas afinal, quando é que é esse final?
A maioria da mulheres que conheço - e das que não conheço também - já nascem sonhando com esse momento. O momento do final feliz. O momento glorioso do the end. O dia em que serão finalmente felizes para sempre. Como também leram todas as fábulas e assistiram a todas as novelas, normalmente em suas cabecinhas, esse momento confunde-se com o dia em que encontrarão seu príncipe, sua alma gêmea. Eleitos para quem devotarão suas miseráveis existências. Fico me perguntando - será que elas não ficavam curiosas pra saber o que vinha depois? Ou será que é o contrário? Ficaram tão curiosas que passaram a correr desesperadamente afim de desvendar tal mistério?
Misteriosa também, é a interpretação que o mulheril fez da frase final. Onde se lê foram felizes para sempre leram: só foram felizes a partir desse momento. Desde então o dogma é seguido de geração em geração. Até esse grande dia, nada de ser feliz. A vida fica dividida em A.P. e D.P. Antes e depois do príncipe. Antes, lêem artigos e mais artigos de como conquistá-lo, de onde encontrá-lo, de como reconhecê-lo e infindáveis variações sobre o mesmo tema. Quando o ilustre candidato a tão aspirado posto surge, vêm os testes. Testam nas mesmas elevadas publicações se ele é o homem ideal, se é fiel, se o santo bate... Os conselhos tornam-se mantras. Nada de sexo no primeiro encontro e nada de dizer claramente o que pensa e sente pra não assustar o promissor possuidor da chave dos seus futuros dias felizes. Os dias que compõe a era antes alternam-se entre a agonia do telefone que não toca e os planos cor-de-rosa do nome dos filhos e da casa de praia que terão.
Outro ponto que merece investigação é o porquê das mulheres que pertencem a Era D.P. não esclarecerem esse mal entendido para as que pertecem a Era A.P. Elas já sabem! Já sabem que talvez, depois do gran finale, elas não serão tão felizes assim. Já sabem o que vem depois. O príncipe não quer saber de ajudar a olhar as crianças, a Cinderela não tem mais tempo para se encontrar com as amigas, o sexo fica meio arroz com feijão, o príncipe não repara que a Cinderela mudou o visual, o dinheiro não dá pra fazer uma viagem de lua-de-mel por ano... Não que isso tudo aconteça em todos os castelos e não que isso tudo torne as Cinderelas mais ou menos felizes. Mas peloamordedeus - esperar todo esse tempo pra ser feliz? E se o príncipe não aparece? E se o príncipe aparece mas depois do the end vira um baita sapo?
Algumas sócias generosas do seleto grupo das felizes para sempre (normalmente as mães), até tentam alertar as que estão na busca: Menina, a coisa não é bem assim! O céu não é de brigadeiro! Viva feliz hoje! Saia com as amigas, enfie o pé na jaca, dê para o maior número de homens interessantes possíveis, experimente, viaje, estude! Claro que a trama desses cérebros foi tecida com linha forte, daquelas grossas, pretas que alerta nenhum consegue afrouxar e elas continuam com o pensamento viciado na infelicidade de não terem encontrado o príncipe. Nem reparam como já dava pra ser feliz... Com príncipe, sem príncipe, com sapo, sem sapo, com anões, madrasta, grilo falante, fada madrinha, ou qualquer outro personagem que esteja nas suas fábulas.
Claro que pra mim é fácil falar de tudo isso já que não tenho um, mas dois príncipes: João e Bento. Um mais encantado que o outro. E embora minha vida não tenha chegado no the end, eu já comecei a ser feliz para sempre.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
A beleza do deserto está em saber que em algum lugar ele esconde uma fonte
De quem é a culpa? De quem convida pra entrar e abre a porta ou de quem aceita o convite e vai entrando? Um dia, o pequeno príncipe abrigou a rosa. Colocou sob a redoma. Abrigou com o pára-vento. Matou suas larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Escutou queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. A rosa não fez nada. Ou fez? O príncipe é envolvente, cuidadoso... Mas afinal, a rosa não está dando atenção a ele? Ela poderia, a qualquer tempo, responder com a delicadeza que lhe é peculiar: - Não, obrigada príncipe. Ou ainda: - Ah, é uma pena, mas hoje eu não posso.
A raposa me ensinou que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Mas se a raposa não quisesse ser cativada, não perderia seu precioso tempo e sapiência com o principezinho... Ah raposa! Mas será que vale a pena?
Na lição da raposa, sempre ganhamos ao nos deixarmos cativar. Podemos dar sentido a tantas coisas sem sentido ao nos deixarmos cativar! Passamos a amar o barulho do vento no trigo, as garrafinhas de água mineral enevadas quando geladinhas, os óculos de leitura essenciais na hora de pagar a conta. "Todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa..."
Mas é claro que a sábia raposa também experimentou o preço dessa felicidade. Embora começasse a ser feliz desde às três, quando o príncipe prometeu aparecer às quatro, às quatro estaria inquieta e agitada. Deu pra lembrar? O estômago cozinhando no próprio suco enquanto espera o telefone tocar, as mãozinhas suando antes dele aparecer... Então a mágica acontece. O príncipe chega, o telefone toca ou ele aparece. Os sininhos só tocam porque você se deixou cativar. Agora você não teria dúvidas se vale ou não a pena, né?
Mas quando chega a hora da partida, a raposa chora. A rosa chora. Eu choro, você chora, todo mundo chora. O príncipe fica sem entender nada. - Ué? Mas você não queria que eu te cativasse? Tem príncipes, nem tão pequenos assim, que entendem menos ainda: -Ué, mas quem disse que eu tava te cativando? Nesse caso, o choro é um pouco maior porque a rosa percebe que não é única, nem especial. O príncipe passará por campos de rosas e não lembrará de rosa mais ou menos graciosa. E agora? Vale a pena ou não vale?
Pra raposa o lucro é certo, e no final da história, todo mundo acaba concordando com ela porque só quem se deixa cativar tem estrelas que riem, campos de trigo que cantam e locutores que gritam a noite toda...
A raposa me ensinou que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Mas se a raposa não quisesse ser cativada, não perderia seu precioso tempo e sapiência com o principezinho... Ah raposa! Mas será que vale a pena?
Na lição da raposa, sempre ganhamos ao nos deixarmos cativar. Podemos dar sentido a tantas coisas sem sentido ao nos deixarmos cativar! Passamos a amar o barulho do vento no trigo, as garrafinhas de água mineral enevadas quando geladinhas, os óculos de leitura essenciais na hora de pagar a conta. "Todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa..."
Mas é claro que a sábia raposa também experimentou o preço dessa felicidade. Embora começasse a ser feliz desde às três, quando o príncipe prometeu aparecer às quatro, às quatro estaria inquieta e agitada. Deu pra lembrar? O estômago cozinhando no próprio suco enquanto espera o telefone tocar, as mãozinhas suando antes dele aparecer... Então a mágica acontece. O príncipe chega, o telefone toca ou ele aparece. Os sininhos só tocam porque você se deixou cativar. Agora você não teria dúvidas se vale ou não a pena, né?
Mas quando chega a hora da partida, a raposa chora. A rosa chora. Eu choro, você chora, todo mundo chora. O príncipe fica sem entender nada. - Ué? Mas você não queria que eu te cativasse? Tem príncipes, nem tão pequenos assim, que entendem menos ainda: -Ué, mas quem disse que eu tava te cativando? Nesse caso, o choro é um pouco maior porque a rosa percebe que não é única, nem especial. O príncipe passará por campos de rosas e não lembrará de rosa mais ou menos graciosa. E agora? Vale a pena ou não vale?
Pra raposa o lucro é certo, e no final da história, todo mundo acaba concordando com ela porque só quem se deixa cativar tem estrelas que riem, campos de trigo que cantam e locutores que gritam a noite toda...
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
L'uomo, questo squilibrato
"O tempo é a tardança do que está por vir."
Martín Fierro
Desbordamos todos os esquemas, nada nos encaixa. Sempre nos sobra alguma coisa. Por mais aprisionados que estejamos, mesmo aí transcendemos tudo. Porque o pensamento habita as estrelas, rompe todos os espaços. Por isso temos uma existência condenada. Não nos cabe nenhum equilíbrio, estamos sempre fora do centro. Dementes, em grau supremo. Homo Demens. É a nossa situação. Nosso arranjo existencial.
Mas sonhamos para além daquilo que é dado e feito. Sempre acrescentamos algo ao real. Somos projeto infinito. Projeto que não encontra neste mundo um quadro para suas realizações. Errantes, em busca de novas paisagens. Nada nos deixa enquadrar. Nada. Porque tudo é menor. Seres ilimitados e transcendentes.
Queremos, como seres desejantes, queremos. Buscamos a experiência da transcendência e encontramos na paixão. Por quê? Porque você sai de si e vai ao encontro do outro. Vive uma experência mística, de antecipação da eternidade na intimidade sexual e na expressão do amor. Se perde para dentro do outro e esquece-se do tempo numa fusão gratificante. Talvez o desejo seja nossa experiência mais imediata e mais profunda.
Somos todos seres desejantes. Não desejamos só isso e aquilo. Desejamos tudo e nos frustramos. Mas o nosso desejo é sempre virgem, sempre quer viver mais, prolongar o tempo, transcender a morte. Tentamos manipular a estrutura do desejo para uma coisa limitada e identificar essa coisa com a totalidade da realidade. É então que nos frustramos, porque o desejo quer o todo e só alcançamos a parte. Essa é a ilusão da realização do desejo infinito identificado com um objeto finito. Mas o obscuro objeto do desejo humano não é este ou aquele ser, esta ou aquela realidade. Não é um automóvel, não é uma mulher, não é escrever um livro, não é fazer teatro, não é ser isso ou aquilo. É mergulhar no ser, captar a nossa sintonia com a totalidade, é sentir que somos chamados ao ser pleno, e não ao pedaço do ser.
Vivemos no finito. Tudo o que tocamos é limitado. Mas nosso desejo é infinito, é ilimitado. Então, para sermos fiéis aos apelos de nossa interioridade, é preciso manter uma abertura infinita, sem confundir a realidade parcial com a totalidade da realidade. Se não mantemos a abertura, morremos. A dialética consiste então em manter o enraizamento e a abertura. Imanentes e trascendentes.
Mas qual o objeto adequado que pode nos satisfazer e trazer descanso? Por que quero a totalidade e só encontro fragmentos? Quero o absoluto e só encontro o relativo. Aqui revela-se nossa natureza insatisfeita e protestante. Talvez esse mal infinito seja nossa grandeza, nosso dinamismo, nossa essência... Não tentem me curar porque sou incurável.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Ecocardiograma Interplanetário
Se você pudesse mesmo obter uma imagem compreensível dessa estrutura e fazer um registro ecográfico fiel do que se passa no coração, diagnosticaria uma certa irregularidade nas suas contrações. Mas pra isso talvez eu precisasse fazer uma jornada pelas estrelas. Não que eu, satélite, estivesse solta pelo hiperespaço. Continuo na mesma órbita. Translação contínua ao redor do teu planeta. Sendo assim, considero viável. Afinal, embora tenha gente que não acredite até hoje, o homem já pisou na Lua. Acho que você indicaria a colocação de um marcapasso pra manter o ritmo. Isso. Uma maquininha pequenininha e capaz de controlar as desigualdades dos batimentos tão sujeitos aos meus caprichos. Não sei se me salvaria. Disfunções astronomicocardiológicas consomem anos-luz de investigação. Talvez uma junta científica pudesse discutir questões cosmicoronarianas porque a verdade da ciência versus o que há de tão passional em você só subscrevem na receita : "Catch me if you can". E eu acabo transmitindo na mesma frequência palavras que só pertencem a vc. Venal. Arterial. Presa na tua gravidade. E é curioso que num universo tão infinito, justamente a tua gravidade me mantenha nesse sistema solar. Tantas galáxias a serem desbravadas e o pobre satelitezinho aguardando o momento de teletransportá-lo pro seu corpo celestial. Pulsando descompassadamente e temendo um acidente vascular. Aguardando o dia em que finalmente a nave-mãe virá buscá-lo. Abduzi-lo. Ok. Que o músculo é involuntário eu também sei.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Primogênito significa o filho que nasce primeiro ?
Livro e livraria grande. Batata frita e linguiça.
Carro preto e carro vermelho. Força mística e padrinhos mágicos.
Zord Leão e Zord Gorila. Mão na boca e na sua também.
Quantas colheradas faltam?
Chiclete e bala. Teatro e cinema.
Ruth Rocha e Picasso. Joguinho de luta e casa do primo.
Fonte de acesso ilimitado e festa inaugural.
Posso dormir sem cueca?
Milhões de palavras e concordância. Jetix e Mc lanche feliz.
Bolinho e suco. Calinho no dente e furinho nas costas.
Gêmeos e Liga da Justiça. Sagú e sem carne.
Vai ter consequência?
Locadora e DVDido. Puxa-boi e Tamanduá.
Fotografia e sono que some. Televisão ligada e alguém que deixa.
Outro picolé e fala alto. Não se suja e dorme na minha cama.
Não é contra as regras?
Dias que faltam e data chegando. Pênis e vocabulário.
Ouve a história e pede mais uma. Mais açúcar e mais sal.
Eu te amo e eu também. Do tamanho do gorila e do tiranossauro Rex
O infinito é maior que o tiranossauro?
Carro preto e carro vermelho. Força mística e padrinhos mágicos.
Zord Leão e Zord Gorila. Mão na boca e na sua também.
Quantas colheradas faltam?
Chiclete e bala. Teatro e cinema.
Ruth Rocha e Picasso. Joguinho de luta e casa do primo.
Fonte de acesso ilimitado e festa inaugural.
Posso dormir sem cueca?
Milhões de palavras e concordância. Jetix e Mc lanche feliz.
Bolinho e suco. Calinho no dente e furinho nas costas.
Gêmeos e Liga da Justiça. Sagú e sem carne.
Vai ter consequência?
Locadora e DVDido. Puxa-boi e Tamanduá.
Fotografia e sono que some. Televisão ligada e alguém que deixa.
Outro picolé e fala alto. Não se suja e dorme na minha cama.
Não é contra as regras?
Dias que faltam e data chegando. Pênis e vocabulário.
Ouve a história e pede mais uma. Mais açúcar e mais sal.
Eu te amo e eu também. Do tamanho do gorila e do tiranossauro Rex
O infinito é maior que o tiranossauro?
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Acho que vou fugir pra Itu...
upa neguinho na estrada
upa pra lá e pra cá
upa que coisa mais linda
ver o neguinho começando a andar, começando a andar, começando a andar...
e já começa a apanhar...
upa pra lá e pra cá
upa que coisa mais linda
ver o neguinho começando a andar, começando a andar, começando a andar...
e já começa a apanhar...
No mercado financeiro, o clima é de apreensão. A alta dos lucros acumulados no decorrer do período, aumenta a aversão ao risco. Na hora de abrir capital, vale abrilhantar a noite com beldades? vale. E optar pelo frappê de cappucino? vale. Vale provocar o desaparecimento do queixo da amiga caído em algum lugar pelo chão? ô se vale! Mas afinal, o vale não é de rio tão doce assim, né? Nessa hora, fundamentalista corre pro balancete e grafista apela pra Fibonacci... em vão. Investir em opções requer muito mais que gráficos e balanços. Requer gosto pela adrenalina da mesa de operações.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Some things are puzzles, puzzling me...
Sempre que te vejo assim
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí
e eu digo
calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir
então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu
sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento
tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer
e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí
e eu digo
calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir
então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu
sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento
tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer
e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
o dia em que Vênus morreu de amor
ufa... todos a minha volta estão derretendo de amor. Até os que amo até doer. E o meu gesto de amor? Seria curá-los do amor ou deixá-los beber dessa dor? Porque morrer de amor é morrer afogado, você busca o ar mas só encontra água. Conseguiu sacar porque o submarino e o zeppelin só são iguais no formato? Mas e então? Tento estancar ou deixo sangrar? Não que ser infeliz deixe alguém feliz, mas entope o coração do mesmo jeito. E viver entupido não obstrui o peito. Alarga o espaço prum novo leito.
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