De quem é a culpa? De quem convida pra entrar e abre a porta ou de quem aceita o convite e vai entrando? Um dia, o pequeno príncipe abrigou a rosa. Colocou sob a redoma. Abrigou com o pára-vento. Matou suas larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Escutou queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. A rosa não fez nada. Ou fez? O príncipe é envolvente, cuidadoso... Mas afinal, a rosa não está dando atenção a ele? Ela poderia, a qualquer tempo, responder com a delicadeza que lhe é peculiar: - Não, obrigada príncipe. Ou ainda: - Ah, é uma pena, mas hoje eu não posso.
A raposa me ensinou que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Mas se a raposa não quisesse ser cativada, não perderia seu precioso tempo e sapiência com o principezinho... Ah raposa! Mas será que vale a pena?
Na lição da raposa, sempre ganhamos ao nos deixarmos cativar. Podemos dar sentido a tantas coisas sem sentido ao nos deixarmos cativar! Passamos a amar o barulho do vento no trigo, as garrafinhas de água mineral enevadas quando geladinhas, os óculos de leitura essenciais na hora de pagar a conta. "Todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa..."
Mas é claro que a sábia raposa também experimentou o preço dessa felicidade. Embora começasse a ser feliz desde às três, quando o príncipe prometeu aparecer às quatro, às quatro estaria inquieta e agitada. Deu pra lembrar? O estômago cozinhando no próprio suco enquanto espera o telefone tocar, as mãozinhas suando antes dele aparecer... Então a mágica acontece. O príncipe chega, o telefone toca ou ele aparece. Os sininhos só tocam porque você se deixou cativar. Agora você não teria dúvidas se vale ou não a pena, né?
Mas quando chega a hora da partida, a raposa chora. A rosa chora. Eu choro, você chora, todo mundo chora. O príncipe fica sem entender nada. - Ué? Mas você não queria que eu te cativasse? Tem príncipes, nem tão pequenos assim, que entendem menos ainda: -Ué, mas quem disse que eu tava te cativando? Nesse caso, o choro é um pouco maior porque a rosa percebe que não é única, nem especial. O príncipe passará por campos de rosas e não lembrará de rosa mais ou menos graciosa. E agora? Vale a pena ou não vale?
Pra raposa o lucro é certo, e no final da história, todo mundo acaba concordando com ela porque só quem se deixa cativar tem estrelas que riem, campos de trigo que cantam e locutores que gritam a noite toda...
A raposa me ensinou que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Mas se a raposa não quisesse ser cativada, não perderia seu precioso tempo e sapiência com o principezinho... Ah raposa! Mas será que vale a pena?
Na lição da raposa, sempre ganhamos ao nos deixarmos cativar. Podemos dar sentido a tantas coisas sem sentido ao nos deixarmos cativar! Passamos a amar o barulho do vento no trigo, as garrafinhas de água mineral enevadas quando geladinhas, os óculos de leitura essenciais na hora de pagar a conta. "Todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa..."
Mas é claro que a sábia raposa também experimentou o preço dessa felicidade. Embora começasse a ser feliz desde às três, quando o príncipe prometeu aparecer às quatro, às quatro estaria inquieta e agitada. Deu pra lembrar? O estômago cozinhando no próprio suco enquanto espera o telefone tocar, as mãozinhas suando antes dele aparecer... Então a mágica acontece. O príncipe chega, o telefone toca ou ele aparece. Os sininhos só tocam porque você se deixou cativar. Agora você não teria dúvidas se vale ou não a pena, né?
Mas quando chega a hora da partida, a raposa chora. A rosa chora. Eu choro, você chora, todo mundo chora. O príncipe fica sem entender nada. - Ué? Mas você não queria que eu te cativasse? Tem príncipes, nem tão pequenos assim, que entendem menos ainda: -Ué, mas quem disse que eu tava te cativando? Nesse caso, o choro é um pouco maior porque a rosa percebe que não é única, nem especial. O príncipe passará por campos de rosas e não lembrará de rosa mais ou menos graciosa. E agora? Vale a pena ou não vale?
Pra raposa o lucro é certo, e no final da história, todo mundo acaba concordando com ela porque só quem se deixa cativar tem estrelas que riem, campos de trigo que cantam e locutores que gritam a noite toda...
Um comentário:
Por que será que as rosas estão sempre esperando príncipes, sem lembrar que também podem cativar? Na literatura, pelo menos, tem algum príncipe grande que escolhe uma rosa, a trata como única e especial e cuida dela até morrer? Você é eternamente sofredora pelo romantismo que cativas. hahahah. Te amo.
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