sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Alguém sabe um jeito melhor

“... Somos todos tão bobos filha. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo. (...) Os homens vivem apostando corrida filha. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! Mas quem ganhou?" É bobice filha, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste. Disse o ratinho: "A minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance só é o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energeticamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, filha. Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo" Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.”

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Vivendo valores - um manual

Tá. Se ninguém te ensinou eu explico:
Honestidade não tem nada a ver com fidelidade, lealdade ou compromisso.
Honestidade é ter a consciência limpa em relação a si mesmo e em relação às pessoas. É a percepção do que é certo e apropriado no nosso papel e nos nossos relacionamentos. Com honestidade não existe hipocrisia ou artificialidade que criam confusão e desconfiança nas mentes e vidas dos outros.
Honestidade é falar aquilo que se pensa e fazer aquilo que se fala. Não há contradições ou discrepâncias em pensamentos, palavras e ações. Tal integração provê clareza. A pessoa honesta mantém respeito às conexões sutis do mundo em relação à sua vida.
Expliquei isso pro João. Desse jeitinho que te expliquei. Ele compreendeu perfeitamente.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

It's us

Eu estava um pouco temerosa de como seria o adeus. A gente se acostuma com as coisas. Boas e ruins. Pensei em raiva, pensei saudade e até em lágrimas. Minha velha mania de fazer drama. Escrever novela. Aumentar um ponto na hora do conto. Não é só o Cazuza que inventa amor pra se distrair.
Mas hoje quando ela começou a cantar eu não tive dúvida. A passos seguros eu caminhava no seu ritmo. Poderosa. Ray ban, iPod e cabelão. Com esse três ítens todo o resto era desnecessário. Ao menos naquele momento o que eu podia era lamentar. Por você.
Every little thing that you say or do
I'm hung up
I'm hung up on you
Waiting for your call
Baby, night and day
I'm fed up
I'm tired of waiting on you
Time goes by so slowly for those who wait
No time to hesitate
Those who run seem to have all the fun
I'm caught up
I don't know what to do
Time goes by so slowly
Time goes by so slowly
Time goes by so slowly
I don't know what to do
Every little thing that you say or do
I'm hung up
I'm hung up on you
Waiting for your call
Baby, night and day
I'm fed up
I'm tired of waiting on you
Ring ring ring, goes the telephone
The lights are on, but there's no one home
Tick tick tock, it's a quarter to two
And I'm done
I'm hanging up on you
I can't keep on waiting for you
I know that you're still hesitating
Don't cry for me
'Cause I'll find my way
You'll wake up one day
But it'll be too late
It's too late, baby. Thank you, Madonna.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Alguns esclarecimentos

Você disse que queria saber. Nisso eu preciso pensar. Pensar se existe algo a saber. E se existir, se vale a pena te contar.

Você disse que não pode adivinhar. Isso é desnecessário. Basta ler. Perceber o sinal verde, e decidir. Ultrapassar ou não.

Você disse que se importa. Isso ficou obscuro. Se importa com quê? Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma atentado à paz. E uma hora perde a graça. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá catar coquinho.

Você disse que se esforça. Isso é engraçado. Passos minúsculos de seres rastejantes. Mas acho que agora a ansiedade já extrapolou a lógica da espera. Ninguém quer meias bocas pra preencher entradas inteiras. Meias palavras para dizer alguma coisa que, feita a análise fria, nada querem dizer.

Você disse coisas fofas. Isso eu amo. E você sabe disso. Afirma que eu não estaria se fosse diferente. Este meu rebolado colorido que descola de seu cenário pastel é meu jeito nada sutil, apesar de ser essa a intenção, de te mostrar que há chances de ultrapassagem.

Você disse que tem medo. Nisso eu creio. Não que eu ache que você tem menos tempo a perder que eu. Só não dá pra continuar encaixando seu medo em horários seguros. Empurrar com a barriga me causa um certo enjôo morno. E eu não consigo empurrar a vida com a barriga porque é a vida que me empurra. E agora, ela me joga em cima de você. Nem que seja para te espantar. o que não seria de todo mal. Ao menos seria real. Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida.

E pela primeira vez, tenho dito.





terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

História ou Estória?

Monto ao meu modo cada pedaço da história, conto ao meu jeito, reinvento meus momentos. Tenho medo de passar despercebida ou ser foco de distração.
Clareio meus negritos, rasgo minhas películas.
Me vejo cheia de parágrafos, mas desconfio das percepções alheias. Tenho medo de que pulem minhas linhas ou cheguem rápido demais ao ponto final.
Não sei virar páginas, ainda que tenha as minhas viradas todos os dias.
Só minha capa é dura, por dentro adoraria ser devorada.
Onde existo inteira é fantasia da minha mente: o mundo não me enxerga e tampouco eu através dele.
Sou um conto e nem sei se meu.
Me conte aí pra ver se existo.
E se eu calar, acabar, for chata ou impossível de ser lida até o final?
Eu bem arrumada e escovada desfilo simplesmente: às vezes o enredo é tão superficial que nem eu quero saber meu final.
Nos diálogos de conquista, solto sempre uma besteira enorme e, por uma analogia às loiras burras do cinema antigo, me torno atraente e acessível. Mas não tente comer papel. Embrulha o estômago.
Sou conto, não sou mulher.
Sexy como uma mulher nua em revista.
Interessante como entrevista.
Fútil como fofoca.
Prolixa como notícias que são sempre iguais.
Sou breve na vida das pessoas, pois em essência sou engraçada, leve e de mentira como uma crônica.
Sou três pontinhos, exclamação e interrogação. Tudo Tudo junto. Mas só para os mais corajosos.
Sou romance, mas não costumo durar para a segunda edição.
Sou mistério: sofrido, complicado e melhor deixar para lá. Mas sempre uma pulga atrás da orelha de quem lê. No que vai dar isso tudo?
Na minha orelha, você leria: menina que não sabe se existe, sabe que ama, mas não sabe o quê, o porquê e até quando.
Sabe que é feliz, mas faz de conta que não, para ser drama.

Espero ansiosamente ser cabeceira de alguém especial, pois não agüento mais tantas traças.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Contador de tempo

Minha vida tem dois tempos. O tempo em que você está e o tempo que você não está.
No tempo em que você não está, a vida é boa. Tem uma porção de coisas que fazem minha vida ser boa. Definitivamente não dá pra reclamar. Mas é do outro tempo, o tempo que você está, que eu quero falar.
Quando você está o riso é fácil e o peso é leve. Não que você seja engraçada ou sempre bem humorada. O mesmo digo de mim. Mas existe alguma alquimia que provoca alguma reação no nosso encontro. E quando isso acontece, o cinza fica amarelo.
Digo cinza porque a vida como ela é - é cinza. Tem trânsito, tem chefe, tem conta no vermelho, tem relacionamento que não deu certo, tem ele que não liga quando diz que vai ligar, e mais uma porção de coisas que são bem mais cinza que essas. No tempo que você está também tem tudo isso. Mas tem você. E ter você já é suficiente pra eu achar graça de todas essas coisas. E se eu não estiver achando graça, procuro alguma. Só pra te fazer achar graça. Só pra deixar seu mundo mais amarelo. Porque se eu achar graça de alguma coisa, certeza que você também vai achar.
Desenvolvemos formas de estar. Porque nem sempre dá pra estar. Se não der, te mando uma mensagem. Se der, você me liga. Mas corre. Corre pra chegar no trabalho porque já estou te esperando. Aconteceu muito coisa nas últimas horas. Comigo e com o mundo. E eu mal posso esperar pra te contar.
Outra coisa incrível do tempo que você está é que muita coisa dobra. Dois olhos viram quatro - tudo bem que às vezes dois param de funcionar - mas imagina só se os outros dois não estão por perto? Dez dedos viram vinte e desandam a ter idéias. Um guarda roupa vira dois - mais conhecido como guarda-roupa de apoio. Mas a coisa mais curiosa é o que acontece com a risada. Nenhuma vira todas.
Minha vida tem dois tempos. No tempo em que mais gosto cachorro-quente é prato principal. All-star é black-tie e Luciana Gimenez é filósofa.
Minha vida tem dois tempos. Um tempo que te amo e um outro. O tempo que te amo.




terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O que eu invento pode ser mais real que muita coisa no mundo.

El sexo sin amor no va más allá del sexo
ni causa depresión o vértigo
con amor las cosas pueden mejorar
y allí empiezan los problemas
porque el amor no es nada en sí
al contrario es el resultado de muchas cosas
El sexo no necesita al amor pero le viene bien
El amor necesita todo lo posible y algún imposible

El título de la novela mi gustaba mucho: No te aferres a nada que no puedas abandonar en 5 segundos. En las calles de mi barrio aprendí tres reglas: A. Siempre hay una víctima. B. Trata de no ser tú. C. Nunca olvides la segunda regla. Sólo tú sabes la naturaleza de tus actos e no sé cuánto podré esperar porque el tiempo mío también cuenta; sé que los corazones giran, que a veces todo se complica en la mente: la mente es capaz de crear sus propios enigmas con la sola intención de atormentarse.
En esta clase de momentos detesto escuchar mi instinto.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O MÍSTICO

Você acaba de conhecer uma pessoa. É bem provável que a primeira pergunta de ambos seja “qual seu nome”. O que segue, você sabe, é aquela série de curiosidades triviais de quem acaba de conhecer alguém. Geralmente, a segunda pergunta é sobre o que mais interessa seu interlocutor. Para sua surpresa, imediatamente após a apresentação, a pessoa em questão deixa pra lá saber onde você mora, quantos anos você tem, de onde você é ou se você gosta de ouvir samba ou jazz. Se no lugar de tudo isso, vem a questão: QUAL É O SEU SIGNO?...Cuidado. Você está diante de um MÍSTICO.

O MÍSTICO é aquela pessoa que nasceu regida por júpiter, com a casa 7 em escorpião, ascendente em xpto e lua em quixeramobim. É aquele que olha para você, ao saber seu signo, com aquela cara de quem tudo sabe e tudo vê. Para ele, os astros não mentem jamais. Se no momento em que você nasceu, sagitário transitava pelo sol, pronto. Já é mais do que suficiente para o MÍSTICO te desvendar. Possivelmente, esta pessoa, que já comprou aqueles livrinhos de astrologia sobre todos os signos, mentalizará em questão de segundos suas qualidades, seus defeitos e, obviamente, se seu signo combina com o dela. Se sim, virá aquele sorrisinho de canto de boca e a terceira pergunta da conversa, não menos importante que a segunda: E SEU ASCENDENTE?, claro, para confirmar se ela deve ou não engatar um papo com você. Se não, o MÍSTICO dará aquela concordada sarcástica básica com a cabeça, seguida de frases como: “Você, hein?”, “Ai, que perigo”, “Eu sabia!”, “Ai, só podia ser” e variantes.

Os MÍSTICOS, em sua grande maioria, possuem muitas características em comum. A principal delas é que os MÍSTICOS são ecléticos. Recorrem às cartas do Tarot, às moedas do I Ching, ao Mapa Astral, às runas e tantas outras ferramentas fenomenais. Tudo com o intuito de não apenas mergulharem em seus verdadeiros eus, como também para fazerem previsões sobre o futuro. O mais curioso é que a filosofia que envolve a corrente é o que menos importa. Importante mesmo é experimentar todas, afinal, todo MÍSTICO é despreendido.

MÍSTICOS sentem verdadeiro fascínio por tudo o que lhes parece oculto e misterioso e vêem significado em toda e qualquer manifestação do ?: desde a borra do café na xícara até a interpretação do sonho da noite anterior. O MÍSTICO também tem uma facilidade muito grande de vincular sua crença à objetos. A casa dele é um templo ecumênico: imagens de santos, anjo da guarda, cristais, fontes e jardins zen, pedras vulcânicas, incensos, deusas indianas… porque proteção nunca é demais! Um rápido encontro com um MÍSTICO pode trazer revelações de suma relavância para sua vida. A mais comum é a quantas anda sua energia. O místico, quase sempre sensitivo, te informa se você está com a energia boa ou se está muito carregado. São sensíveis a tudo que o mundo emana e absorvem o que há de bom e ruim em um ambiente. Como deve ser difícil ser um MÍSTICO.

Antigamente era fácil reconhecer os MÍSTICOS. Eles andavam com batas, guias no pescoço, viajavam pra São Tomé das Letras e faziam retiro em Pirenópolis. Hoje estamos expostos a eles. A astrologia disseminou-se em todas as esferas da sociedade e conhecemos MÍSTICOS roqueiros, MÍSTICOS de terno, MÍSTICOS fashions. O misticismo virou moda. Mas embora muitos de nós sejamos um pouco MÍSTICOS e tenhamos curiosidade sobre as forças ocultas, o MÍSTICO verdadeiro tem características únicas. Ele não anda, transita. Não é orientado, é regido. Se o namoro dele não deu certo, não é traição ou incompatibilidade de gênios, é o destino. Se a vida vai mal, não há o que fazer: ou é inferno astral, se for próximo do aniversário dele, ou era o ano do cachorro com raiva no horóscopo chinês e este não estava mesmo reservando a melhor das sortes. Se o MÍSTICO não se deu bem no trabalho era a energia ruim. Se a noite não foi boa, era a lua que, de acordo com o guru (muitos MÍSTICOS são aconselhados por gurus), estava fora de curso. Se tudo saiu bem, era aquela carta mágica, o soldado flamejante pirotécnico, que ele tirou no tarot. Só o MÍSTICO verdadeiro e completo saberá se hoje é mesmo dia de lua nova em peixes e que o elemento de aquário não é água. Faça essas perguntas a um MÍSTICO. Ele será um exemplar real se souber responder. Ou puder prever.



(escrito a 4 mãos que nem a quiromante soube definir de quem é cada uma delas de tantas linhas iguais que possuem)


Why does my heart feel so bad?

A previsão é que o tempo permaneça nublado com ocorrência de chuvas esparsas no decorrer do período.