quinta-feira, 15 de maio de 2008

Drão

Existem várias formas de se relacionar. Não existe um formato ideal de relação. Toda relação tem partes e as partes é que determinam o que é importante pr’aquela relação dar certo. Combinam as regras, fazem os acertos e enfim, se relacionam. Tudo isso muito embora a maneira de criar relações seja muito parecida. A maioria das pessoas possui as mesmas carências e as mesmas vulnerabilidades e ficam suscetíveis aos mesmos formatos.

Ao contrário da forma com que podemos nos relacionar, algumas coisas só existem de um jeito. E quando, por alguma razão, nosso coração resolve dar importância a alguém, é pouco provável que o referido objeto do nosso afeto não se sinta importante. Isso porque não temos dúvidas quando realmente recebemos importância de alguém.

Não trata-se de traço de personalidade e sim de mera indolência. Importar-se com alguém não requer esclarecimento. Traduz-se em gestos cotidianos de cuidado, atenção. É inerente, natural.

Claro que para nos importarmos com alguém, é preciso estar acessível. É preciso deixar-se tocar. E isso requer generosidade. Exige generosidade porque nos importarmos com as pessoas reduz nossa chance de estar plenamente feliz. É verdade. Reduz. Se nossa alegria e satisfação estão vinculadas ao bem-estar e felicidade de muita gente, maiores as chances de não experienciá-las, visto que é muito difícil que todos os objetos de nossa afeição estejam intermitentemente felizes e satisfeitos.

E se a chateação daqueles que amamos nos afeta de modo a nos chatear também, é lógico pensar que mais permaneceremos chateados quanto mais nos importarmos com as pessoas. Talvez seja essa lógica que dê o embasamento para tanta gente egoísta nesse mundo. Afinal, por que permitir que eu seja afetado por algo que não me afeta diretamente? Não é estupidez deixar com que as desventuras de alguém reduzam dramaticamente minhas chances de permanecer impávido com a minha própria vida?

Por essa razão, muitas pessoas passam pela vida bem concentradas nas próprias necessidades, sem se distrair com desejos que não sejam os seus próprios. Não que essas pessoas estejam imunes a importar-se com quem quer que seja. Não. Isso até pode acontecer. Mas seus interesses sempre sobrepõe-se aos alheios. A pessoa fica de tal forma ensimesmada que até quando demonstra importar-se com alguém, o faz por si, não pelo outro. Aí os gestos ficam sem sentido. Aquele que pensa ser objeto de atenção, confunde-se. Fica sem entender como pode ser importante pra alguém, se demonstra aborrecimento e não recebe o cuidado esperado.

Mas o mais curioso é observar que imunizar-se às necessidades do outro não torna o egoísta mais feliz. É interessante constatar que aquele que só preocupa-se com os próprios anseios não encontra alegria. Não olha para os lados e assim não encontra referencial de felicidade. Espera desfilar a passeio pela vida dos que o cercam e encontrar entretenimento, distração. E assim leva a vida. Dando encontrão em pessoas suscetíveis ao próximo e saindo à francesa. De fininho...

Ao sujeito que doou um espaço do seu coração pra se importar com ele, sobra uma dor pungente. Não consegue entender e acaba pensando que o problema está em si. Diminui-se com questões como não ser suficientemente amável ao coração do egoísta. Bobagens. Todos estamos cercados de pessoas que nos amam e claramente demonstram se importar com nossas inquietações exatamente como somos. Difícil é olhar esse todo quando o egoísta insiste em manifestar sua indiferença em relação a algo tão precioso que lhe foi confiado.

Todos esses pensamentos vêm com clareza a minha mente. Mas não impedem a não compreensão de tudo isso que me ocorre. Embora esteja convencida de não obter as respostas, confesso ainda acalentar o íntimo desejo de que tudo fosse diferente. O desejo de que o conhecimento da minha dor motivasse uma ação sua. Vão.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O problema não está em mim

Não,
ele não vai mais dobrar
pode até se acostumar
ele vai viver sozinho
desaprendeu a dividir

Foi
escolher o mal-me-quer
entre o amor de uma mulher
e as certezas do caminho

Ele não pôde se entregar
agora vai ter de pagar com o coração
Olha lá,
ele não é feliz
sempre diz
que é do tipo cara valente
Mas veja só
a gente sabe
que esse humor é coisa de um rapaz
que sem ter proteção
foi se esconder atrás da cara de vilão
Então não faz assim rapaz
não bota esse cartaz que a gente não cai não

Momento Coruja

" O João é o melhor aluno desta sala. Me impressiona não somente a fluência da leitura dele, como o retorno que ele dá daquilo que lê. Ele compreende os textos e expõe com clareza todas as suas idéias e interpretações. No estudo da matemática, possui raciocínio lógico desvinculado do concreto. Demonstra independência na realização de suas tarefas e tem excelente relacionamento interclasse. Não apresenta nenhuma dificuldade no cumprimento de suas responsabilidade e nenhuma dificuldade disciplinar."
*palavras de Rita, professora da segunda série do João.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Toc, toc, toc... Quem Bate? É o friooo

Maio mal começou e o frio já chegou. Eu particularmente não sou muito chegada a baixas temperaturas. Acho bonito, elegante, bom de se ver. Mas não gosto de sentir na pele. Fico preguiçosa, manhosa – e se o frio for úmido e chuvoso, pronto – fico mal-humorada também. Isso porque umidade e chuva em São Paulo significam trânsito, pés molhados, guarda-chuvas se esbarrando e crise capilar. O último item já tem o poder de acabar com o humor de qualquer ser humano não abençoado pelos cabelos a prova d’agua.

Ao frio associamos vinho, lareira, fondue... Mas tudo isso se você estiver associado a alguém. O inverno é definitivamente uma estação de associação. Pescoços associados a cachecóis, televisões à edredons, mesas de bar associadas a aquecedores... e por aí vai. Ou seja, para atravessar um inverno com segurança e conforto, melhor garantir um par.

Claro que um par adequado para essa estação não é nada fácil de se encontrar. Ele precisa fornecer um mínimo de calor pra reverter sua sensação térmica. Como infelizmente não somos ursos e não possuímos o maravilhoso direto de hibernar de conchinha durante toda a estação gelada, seu par deve possuir a capacidade de te aquecer mesmo a distância. Passar aquele calorzinho gostoso mesmo através do telefone. Com uma mensagem, um carinho...

Em tempos de aquecimento global, as pessoas estão menos aptas a aquecerem umas as outras. Ainda não li nenhum estudo a respeito, mas talvez o descongelamento das calotas polares esteja provocando uma reação no subconsciente das pessoas, que com medo do calorão iminente, estão com certa aversão ao calor humano e resolveram curtir as últimas décadas do planeta desfrutando de certa frieza.

Nesse caso, o melhor é buscar outras associações pra tentar amenizar o problema. Para mim, o melhor remédio contra o frio, ainda é meia grossa e chocolate quente. Bem quente. Daqueles que esquentam tudo por dentro. Também dá pra se distrair do frio botando fogo entre quatro paredes. Mas isso também exige um par, que se não for aquele com os requisitos acima listados, deve ser alguém com atributos incendiários. Mas é bom avisar. Essa quentura é efêmera. Provoca aquele calorão momentâneo e depois passa. Dura pouco mais de algumas horas. Com otimismo...

No mais é enfrentar com coragem e brio a hora de tirar a roupa pra tomar banho. Por essa e outras situações não têm par que dê remédio. Nem o abandono da postura politicamente correta. Porque atire a primeira pedra o ecologista que não liga o chuveiro quente e deixa o vapor subir antes de tirar a roupa nesse frio...

Enquanto isso a gente espera. Qualquer hora a porta bate. Toc, toc, toc... Quem bate? É o remédio definitivo pro seu friooooo!



terça-feira, 6 de maio de 2008

Another wasted love story



There's a moment in life where you can't recover any more from another break-up.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Últimos suspiros

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas

Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê

Trilha sonora do final de semana


Quando surge o alviverde imponente

No gramado em que a luta o aguarda

Sabe bem o que vem pela frente

Que a dureza do prélio não tarda

E o Palmeiras no ardor da partida

Transformando a lealdade em padrão

Sabe sempre levar de vencida

E mostrar que de fato é campeão

Defesa que ninguém passa

Linha atacante de raça

Torcida que canta e vibra

Por nosso alviverde inteiro

Que sabe ser brasileiro

ostentando a sua fibra


Elucidação a despeito das elocubrações passadas

Em respeito aos meus inúmeros leitores, redijo esta nota de esclarecimento:
Depois de muito elocubrar e não encontrar mais respostas, beirávamos a desistência. Até que...
Sim! Ele ligou. Não somente ligou como esclareceu as razões pela demora. Compromissos profissionais, complicações de ordem pessoal, blablabla...
Sim! Nós saímos. Não somente ele não foi abduzido como cogitamos anteriormente, como também passeamos pela mesma órbita esse final de semana...
Sim! Ele é verdadeiramente OLD SCHOOL. Não somente pela idade, mas também pela postura adulta, centrada e equilibrada.
Tenquiú Lord!