Se você pudesse mesmo obter uma imagem compreensível dessa estrutura e fazer um registro ecográfico fiel do que se passa no coração, diagnosticaria uma certa irregularidade nas suas contrações. Mas pra isso talvez eu precisasse fazer uma jornada pelas estrelas. Não que eu, satélite, estivesse solta pelo hiperespaço. Continuo na mesma órbita. Translação contínua ao redor do teu planeta. Sendo assim, considero viável. Afinal, embora tenha gente que não acredite até hoje, o homem já pisou na Lua. Acho que você indicaria a colocação de um marcapasso pra manter o ritmo. Isso. Uma maquininha pequenininha e capaz de controlar as desigualdades dos batimentos tão sujeitos aos meus caprichos. Não sei se me salvaria. Disfunções astronomicocardiológicas consomem anos-luz de investigação. Talvez uma junta científica pudesse discutir questões cosmicoronarianas porque a verdade da ciência versus o que há de tão passional em você só subscrevem na receita : "Catch me if you can". E eu acabo transmitindo na mesma frequência palavras que só pertencem a vc. Venal. Arterial. Presa na tua gravidade. E é curioso que num universo tão infinito, justamente a tua gravidade me mantenha nesse sistema solar. Tantas galáxias a serem desbravadas e o pobre satelitezinho aguardando o momento de teletransportá-lo pro seu corpo celestial. Pulsando descompassadamente e temendo um acidente vascular. Aguardando o dia em que finalmente a nave-mãe virá buscá-lo. Abduzi-lo. Ok. Que o músculo é involuntário eu também sei.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
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