Tem dia que fica um vento parado dentro de você, que não sabe se vai ou se fica. Aí, pra curar, só vento ventando por fora e ensinado o caminho da corrente pro outro vento sair.
Daí que nem era seu aniversário. Nem era natal... não era dia de nada. Eu tava a toa e inventei moda. Inventei que queria te dar um presente. Claro que você não entendeu nada porque você não entende nada de dar presente sem data marcada. Ainda mais um presente daqueles. Com laço de fita e tudo.
Mas quando a gente dá presente, nem sempre a pessoa usa. Tem alguns que a gente ganha da tia no aniversário e faz aquela cara de ahhhhhhh! não precisava! A tia pensa que você tá sendo educado, mas tá falando a verdade mesmo. Pra comprar aquilo ali, não precisava mesmo. Aí você tem que dar um jeito de usar num domingo no almoço da casa da vó pra não ficar chato. Tem aqueles presentes mais-sem-graça-do-mundo-todo de amigo secreto da firma. Você compra um DVD pra alguém que jamais presentearia e que já sabe exatamente o que vai ter por tras do papel de embrulho natalino porque já escreveu numa lista o que queria ganhar.
Mas nesse caso era diferente. Ou era igual? Educado, você fez que gostou do presente. Mas hesitante, foi até a loja trocar.
A vendedora não te tratou nada bem. Nenhuma vendedora trata bem quem vai fazer troca. Onde já se viu? Mas é direito do consumidor. Fazer o que? Você olhou, olhou, procurou, procurou... Mas enfim, nada te interessou. Nada prendeu seu olhar ou atenção por muito tempo. A loja toda a sua disposição te causou um certo tédio e então você voltou pra casa.
Sem ter muito o que fazer com o presente que não combinava em nada com a sua decoração, encostou ele lá num canto. Qualquer hora a empregada passa distraída e ele se quebra. Temerosa se o objeto era de valor, ela nem comenta o incidente. E você, nem nota. Ela juntou os cacos bem juntados, mandou pro lixo e você - nem percebeu. Se não percebia quando ele tava ali, como é que vai perceber agora que ele não tá?
Passado um tempo, a casa parece estranhamente vazia. Uma falta esquisita do não-sei-o-que em não-sei-qual-lugar.
Tem dia que fica um vento parado dentro de você, que não sabe se vai ou se fica. Aí, pra curar, só vento ventando por fora e ensinado o caminho da corrente pro outro vento sair.
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