Da plataforma dá pra ver como os ratos são capazes de entrar em lugares minúsculos. Aliás, a plataforma do trem é o único lugar que te permite observar os ratos com um certo encantamento. Você não se preocupa porque sabe que eles estão lá embaixo nos trilhos e não chegarão até você de jeito algum.
A estação da Luz é a que tem mais enlevo. Talvez por aquela construção do século passado. Não que ela combine com os trens espanhóis azuis, muito menos com aqueles prateados sem janela. Mas aos olhos parece menos prosaica. Enche mais. Ainda que o trem não saia de trás de montanhas azuis e nem faça piuí abacaxi.
Se você não estiver com pressa ou esgotado por mais um dia longo vai ter muito o que olhar.
Quando o trem se aproxima, os que pretendem descer, inimigos dos que pretendem entrar, aproximam-se da porta mostrando que o embate está próximo. Claro que se os que pretendem embarcar entendessem que seria mais fácil subir quando os que estão no vagão desembarcarem, o conflito não existiria. Mas é compreensível. A maioria dos que embarcam e desembarcam já estão na terceira, quarta condução no dia. Ou ainda na primeira, de todas as outras que ainda pegarão.
Observe que o trem está lotado, mas quase todos não estão ali. Estão longe. Em seus mundos. Olhando algum ponto sem ver nada. Com seus fones de ouvido e seus livros. Sim. Muitos lêem no trem. De Danielle Steel a Matemática Avançada. Será que os passageiros são mais letrados que os que estão presos no trânsito? Afinal, se dedicam uma ou duas horas por dia à leitura enquanto os que estão no trânsito podem no máximo escutar as notícias da última hora, devem mesmo ser mais eruditos...
Outros fazem dos vagões seu meio de vida. As atividades são variadas. Há os que fazem discursos sobre doenças, pedindo ajuda para os remédios, leite dos filhos e que sempre dizem que não estariam pedindo se tivessem um trabalho. Aleijados, coxos, cegos. Os vendedores são clandestinos. O comércio é ilegal. Entram no vagão com suas mercadorias dentro da mochila para que elas não sejam apreendidas pelos vigilantes nas plataformas. As mercadorias também são inusitadas. Chocolates, pastilhas para garganta, tabuada, cortadores de unha... Há os que com a bíblia em punho, usam o trem pra evangelizar. Exortam os passageiros à conversão. E outros, atentos à desatenção de outros, esperam o momento certo de levar uma carteira ou um celular...
Se o horário for de pico, a missão requer certa dose de coragem. É possível que você passe a viagem toda sem mexer sequer um dedo. Não dá. Caso você tire o pé do chão, é possível que não encontre mais o chão para apoiar-se.
Na espera, inevitável é pensar na possibilidade iminente de alguém pular nos trilhos.
Tudo tem. Tudo trem.
A estação da Luz é a que tem mais enlevo. Talvez por aquela construção do século passado. Não que ela combine com os trens espanhóis azuis, muito menos com aqueles prateados sem janela. Mas aos olhos parece menos prosaica. Enche mais. Ainda que o trem não saia de trás de montanhas azuis e nem faça piuí abacaxi.
Se você não estiver com pressa ou esgotado por mais um dia longo vai ter muito o que olhar.
Quando o trem se aproxima, os que pretendem descer, inimigos dos que pretendem entrar, aproximam-se da porta mostrando que o embate está próximo. Claro que se os que pretendem embarcar entendessem que seria mais fácil subir quando os que estão no vagão desembarcarem, o conflito não existiria. Mas é compreensível. A maioria dos que embarcam e desembarcam já estão na terceira, quarta condução no dia. Ou ainda na primeira, de todas as outras que ainda pegarão.
Observe que o trem está lotado, mas quase todos não estão ali. Estão longe. Em seus mundos. Olhando algum ponto sem ver nada. Com seus fones de ouvido e seus livros. Sim. Muitos lêem no trem. De Danielle Steel a Matemática Avançada. Será que os passageiros são mais letrados que os que estão presos no trânsito? Afinal, se dedicam uma ou duas horas por dia à leitura enquanto os que estão no trânsito podem no máximo escutar as notícias da última hora, devem mesmo ser mais eruditos...
Outros fazem dos vagões seu meio de vida. As atividades são variadas. Há os que fazem discursos sobre doenças, pedindo ajuda para os remédios, leite dos filhos e que sempre dizem que não estariam pedindo se tivessem um trabalho. Aleijados, coxos, cegos. Os vendedores são clandestinos. O comércio é ilegal. Entram no vagão com suas mercadorias dentro da mochila para que elas não sejam apreendidas pelos vigilantes nas plataformas. As mercadorias também são inusitadas. Chocolates, pastilhas para garganta, tabuada, cortadores de unha... Há os que com a bíblia em punho, usam o trem pra evangelizar. Exortam os passageiros à conversão. E outros, atentos à desatenção de outros, esperam o momento certo de levar uma carteira ou um celular...
Se o horário for de pico, a missão requer certa dose de coragem. É possível que você passe a viagem toda sem mexer sequer um dedo. Não dá. Caso você tire o pé do chão, é possível que não encontre mais o chão para apoiar-se.
Na espera, inevitável é pensar na possibilidade iminente de alguém pular nos trilhos.
Tudo tem. Tudo trem.
Um comentário:
Show Aninha!!!
Yesssss!!
Beijos!!
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