quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A não-jabuticaba

Havia na jabuticaba uma multidão de estranhos que, de repente, parou instantes para olhar. Empurrei os seus olhos com os meus e ouvi o silêncio dos seus pensamentos, já não sabendo se aquilo que eu pensava era meu ou se era dele, porque olhar nos olhos de um estranho é constrangedor.
E então, como se aquilo que eu pensava também já fosse tarde demais, meus pensamentos foram sugados pelos olhos que ainda eram de jabuticaba. Havia naqueles olhos uma correria inútil de tampar segredos e eu soube de todos eles, não por meio de palavras, mas por meio de silêncios. Assim eles ficaram, os segredos daquele olhar, no canto das coisas que eu pensava e não ouvia.
Você não sabe o que foi o não-olhar... Eu já não sabia dar as costas pra jabuticaba.
Nos meus olhos guardava perguntas inocentes, e você quase arrumou de volta os meus cabelos, abotoou a minha blusa e me pediu desculpas por ter faltado com o respeito.

2 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

o que faz a gente chegar num blog e sentir como se a pessoa que escreve nele fosse nossa amiga-vizinha que vive pertinho ainda é um mistério pra mim...

mas enfim...


encontrei seu blog. =)

(ps. eu também sou ana t.)