Daí que semana retrasada eu fui ao jogo do Palmeiras x São Paulo no Morumbi com a Rê. Eu estava superempolgada não só porque o dia estava lindo, mas também porque o Palmeiras era super favoritíssimo pela campanha incrível que fez no Paulistão. Estava empolgadíssima pela minha amiga ser palmeirense e empolgadíssima porque assitiríamos ao jogo tomando caipirinhas e cervejas no camarote da federação.
O jogo começou e o São Paulo fez dois gols no Palmeiras. Um deles, de mão. Isso mesmo. Um gol de mão do Adriano. Os bambis - ops, os são-paulinos -, com seu jeito muito peculiar de torcer, estavam no armário e só começaram a gritar e torcer depois do segundo gol do São Paulo, tornando nossa convivência no camarote insustentável.
Procuramos então nos afastar pruma cadeira lááááá longe deles e nos concentrar na nossa virada. O Palmeiras fez sim um gol, mas o placar terminou num 2x1. A desolação era completa. Até que...
Olhei pro lado, e comentei com um torcedor igualmente desolado: - Tudo bem, semana que vem, 1x0 no Palestra Itália é nosso...
Cabeça volta pra frente e algumas questões instalam-se:
1. Esse torcedor é interessantíssimo ou ainda estou um pouco atordoada com o jogo?
2. Esse torcedor estava ao meu lado durante todo o segundo tempo e eu não notei sua presença?
3. Esse torcedor estava ao meu lado, acompanhado por sua filhinha de 10 anos aproximadamente, e eu não só ignorei sua presença como também gritei todos os palavrões catalogados e os não catalogados para o juiz e sua família?
4. Como farei pra demonstrar que o considerei MUITO interessante após tamanho desdém durante a partida?
5. Como farei algum contato com esse torcedor se o jogo acabou?
6. No manual da etiqueta do flerte existe alguma restrição sobre flertar pessoas acompanhadas de filhos menores?
7. Será que estou tão fanática pelo futebol que perdi a chance de conhecer o homem da minha vida por estar imersa no jogo?
Claro que todos esses pensamentos me ocorreram em questão de milésimos de segundo e quando virei pra Rê, ela confirmou meu pensamentos com a seguite frase:
- Ana, que gato!!!! Esse coroa é seu número!* Você PRECISA fazer alguma coisa!
*reparem que minhas amigas já consideram homens entre 45 e 50 anos o meu número. Fica a dúvida se é por conta do meu gosto old school ou se elas consideram homens na terceira idade mais adequados com meu perfil
Claro também que eu não tinha a menor esperança de fazer algo, porque não só ele não estava mais ao nosso lado, como também porque eu ganhei o prêmio internacional da mais desajeitada paqueradora do século e não fazia a menor idéia de como prospectar.
Com a segunda derrota do dia, sentamos num puff do camarote pra tomar a última cerveja enquanto aguardávamos o tumulto pra sair do estádio dar uma acalmada. Até que...
O HOMEM caminha em nossa direção e senta ao meu lado no puff. Ai meu Deus!!! Será que é um prêmio de consolação por todas as roubalheiras do juiz pra cima do Palmeiras???
Como era de se esperar, eu travei. E ele, nenhum campeão do traquejo na arte da paquera em estádios, também não conseguia engatar conversa muito promissora. Graças a Deus eu estava acompanhada da minha amiga que resolveu tomar a frente da situação e praticamente cuidar de tudo sozinha. Providenciou não somente um papel, como também anotou meu nome e telefone nele. A mim, cabia somente encontrar a oportunidade adequada de entregar a ele. Como era de se esperar, não encontrei. Sendo assim, coube também a Rê promover que saíssemos juntos do estádio e ele nos acompanhasse até o estacionamento (afinal duas mocinhas indefesas saírem de um Morumbi tomado por delinquentes bambis é muuuuito perigoso). Como era de se esperar, também não aproveitei a deixa e não concluí minha humilde missão de apenas entregar o papel. Desoladas mais uma vez. Inconformadas. Até que...
Numa atitude surpreeendente, o prospect desce de seu carro e caminha em minha direção com seu cartão em mãos. Óóóóóóóó... Entreguei o guardanapo e aguardamos que ele desaparecesse de nosso campo de visão e pulamos e comemoramos como se fosse um gol do verdão. Renata já sugeria até mesmo ser a madrinha de nosso casamento. Alegria completa. Até que...
Segunda-feira
Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
Sábado
Domingo (dia do segundo jogo da semi-final contra o São Paulo, dia em que o Palmeiras eliminou o São Paulo do Campeonato Paulista com direito a frango do Rogério Ceni numa partida eletrizante finalizada num 2x0 que garantiu a vaga do Verdão nas finais)
Segunda-feira
Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
Sábado
Domingo (dia da primeira final do Campeonato Paulista, dia em que o Palmeiras enfrentou a Ponte Preta na casa adversária em Campinas e venceu por 1x0)
Segunda-feira...
15 dias depois, elocubramos razões para que ele ainda não tenha ligado. Minhas amigas e inclusive suas mães que ficaram sabendo de tudo isso em tempo real sugerem coisas do tipo que ele não ligou ainda porque deve estar com uma amigdalite terrível e impossibilitado de falar, ou que ele morreu, entre outras hipóteses SUPER plausíveis já que a possibilidade ele simplesmente não quis ligar está totalmente fora de cogitação.
Alguém tem mais alguma sugestão?
3 comentários:
Além da minha sugestão da amidalite, pode ser que:
1. Ele não era palmeirense e sim sãopaulino e não teve coragem de dizer. Agora, ele quer mais que você e os porcos nojentos atiradores de gás de pimenta em vestiários alheios vão para o quinto dos infernos.
2. Ele estava próximo ao vestiário do clube bem amado e morreu intoxicado com o gás de pimenta que vocês mesmo plantaram, ASSASSINOS!
3. Ele foi abduzido.
4. Sua empresa o transferiu para Quixeramobim.
Tudo menos ele não quer te ligar. Tudo menos isso. Pensar isso é completamente descabido, te proíbo.
ATÉ QUE...
ai-ai-ai... expectativas....
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