Por que será que quando uma relação meio a meio acaba, parece que alguém sempre sai com 49%?
Essa pergunta é da Sandra Werneck. Eu agora tô me perguntando se as relações são sempre assim. Não só quando acabam. Mas antes, durante e depois também. O Efraim já tinha me ensinado que numa relação sempre há uma vítima. Ensinou também que se sempre há uma vítima, devemos nos concentrar em não ser a vítima.
Restam algumas perguntas:
Será que alguém sempre é acionista maioritário e pro outro só resta aceitar o controle daquilo que resta? Será que os sócios numa relação nunca serão igualitários? Alguém sempre se doa mais? Quer que dê certo com mais força que a outra parte e demonstra isso através de ações mais concretas?
Mas relação tem parte? Juridicamente e comercialmente falando, as partes numa relação têm sempre interesses distintos. E numa relação afetiva? A parte não deveria ser o todo e os interesses comuns?
E quem pode medir quem fez mais, quem sofreu mais e quem queria mais que a coisa funcionasse? O quanto é o mais de cada um? E qual a vantagem de ganhar ou perder nessa hora? Em que momento estabelece-se essa competição? Quem define as regras? Mas se quem dá mais, sempre sai com menos e quem dá menos fica com alguma coisa, qual a vantagem em se dar?
Ué, mas alguém quer levar vantagem em uma relação? Se a relação acaba, quem deu menos também não saiu de mãos abanando? Quem venceu? É possível alguém sair sem perder?
Mas o que foi dado foi perdido? Então não foi dado, foi investido. Investimento supõe retorno, doação não. Qual a escala pra determinar o que é um investimento seguro? Qual das partes pode oferecer garantias? Todos não estão sujeitos às mesmas situações? Alguém se compromete mais com aquilo que recebe? Quem investiu fez que tipo de análise pra se assegurar de alguma coisa? E quem recebeu? Saiu com algo se alguma coisa deu errada? Consegue levar nas mãos o que lhe foi dado?
Se não leva nada, por que quem deu acha que pode cobrar? Reclama o que deu de volta ou cobra o que não recebeu? É errado receber sem poder dar? O que determina qual é o melhor de cada um? Como saber se alguém oferece de fato tudo que pode? Mas quem se interessa em saber qual é o tudo do outro? O que lhe dão não é suficiente? Então por que medir?
Amar é dar tudo, dar o que pode ou dar o que pretende receber?
Nenhum comentário:
Postar um comentário