Existem várias formas de se relacionar. Não existe um formato ideal de relação. Toda relação tem partes e as partes é que determinam o que é importante pr’aquela relação dar certo. Combinam as regras, fazem os acertos e enfim, se relacionam. Tudo isso muito embora a maneira de criar relações seja muito parecida. A maioria das pessoas possui as mesmas carências e as mesmas vulnerabilidades e ficam suscetíveis aos mesmos formatos.
Ao contrário da forma com que podemos nos relacionar, algumas coisas só existem de um jeito. E quando, por alguma razão, nosso coração resolve dar importância a alguém, é pouco provável que o referido objeto do nosso afeto não se sinta importante. Isso porque não temos dúvidas quando realmente recebemos importância de alguém.
Não trata-se de traço de personalidade e sim de mera indolência. Importar-se com alguém não requer esclarecimento. Traduz-se em gestos cotidianos de cuidado, atenção. É inerente, natural.
Claro que para nos importarmos com alguém, é preciso estar acessível. É preciso deixar-se tocar. E isso requer generosidade. Exige generosidade porque nos importarmos com as pessoas reduz nossa chance de estar plenamente feliz. É verdade. Reduz. Se nossa alegria e satisfação estão vinculadas ao bem-estar e felicidade de muita gente, maiores as chances de não experienciá-las, visto que é muito difícil que todos os objetos de nossa afeição estejam intermitentemente felizes e satisfeitos.
E se a chateação daqueles que amamos nos afeta de modo a nos chatear também, é lógico pensar que mais permaneceremos chateados quanto mais nos importarmos com as pessoas. Talvez seja essa lógica que dê o embasamento para tanta gente egoísta nesse mundo. Afinal, por que permitir que eu seja afetado por algo que não me afeta diretamente? Não é estupidez deixar com que as desventuras de alguém reduzam dramaticamente minhas chances de permanecer impávido com a minha própria vida?
Por essa razão, muitas pessoas passam pela vida bem concentradas nas próprias necessidades, sem se distrair com desejos que não sejam os seus próprios. Não que essas pessoas estejam imunes a importar-se com quem quer que seja. Não. Isso até pode acontecer. Mas seus interesses sempre sobrepõe-se aos alheios. A pessoa fica de tal forma ensimesmada que até quando demonstra importar-se com alguém, o faz por si, não pelo outro. Aí os gestos ficam sem sentido. Aquele que pensa ser objeto de atenção, confunde-se. Fica sem entender como pode ser importante pra alguém, se demonstra aborrecimento e não recebe o cuidado esperado.
Mas o mais curioso é observar que imunizar-se às necessidades do outro não torna o egoísta mais feliz. É interessante constatar que aquele que só preocupa-se com os próprios anseios não encontra alegria. Não olha para os lados e assim não encontra referencial de felicidade. Espera desfilar a passeio pela vida dos que o cercam e encontrar entretenimento, distração. E assim leva a vida. Dando encontrão em pessoas suscetíveis ao próximo e saindo à francesa. De fininho...
Ao sujeito que doou um espaço do seu coração pra se importar com ele, sobra uma dor pungente. Não consegue entender e acaba pensando que o problema está em si. Diminui-se com questões como não ser suficientemente amável ao coração do egoísta. Bobagens. Todos estamos cercados de pessoas que nos amam e claramente demonstram se importar com nossas inquietações exatamente como somos. Difícil é olhar esse todo quando o egoísta insiste em manifestar sua indiferença em relação a algo tão precioso que lhe foi confiado.
Todos esses pensamentos vêm com clareza a minha mente. Mas não impedem a não compreensão de tudo isso que me ocorre. Embora esteja convencida de não obter as respostas, confesso ainda acalentar o íntimo desejo de que tudo fosse diferente. O desejo de que o conhecimento da minha dor motivasse uma ação sua. Vão.
Ao contrário da forma com que podemos nos relacionar, algumas coisas só existem de um jeito. E quando, por alguma razão, nosso coração resolve dar importância a alguém, é pouco provável que o referido objeto do nosso afeto não se sinta importante. Isso porque não temos dúvidas quando realmente recebemos importância de alguém.
Não trata-se de traço de personalidade e sim de mera indolência. Importar-se com alguém não requer esclarecimento. Traduz-se em gestos cotidianos de cuidado, atenção. É inerente, natural.
Claro que para nos importarmos com alguém, é preciso estar acessível. É preciso deixar-se tocar. E isso requer generosidade. Exige generosidade porque nos importarmos com as pessoas reduz nossa chance de estar plenamente feliz. É verdade. Reduz. Se nossa alegria e satisfação estão vinculadas ao bem-estar e felicidade de muita gente, maiores as chances de não experienciá-las, visto que é muito difícil que todos os objetos de nossa afeição estejam intermitentemente felizes e satisfeitos.
E se a chateação daqueles que amamos nos afeta de modo a nos chatear também, é lógico pensar que mais permaneceremos chateados quanto mais nos importarmos com as pessoas. Talvez seja essa lógica que dê o embasamento para tanta gente egoísta nesse mundo. Afinal, por que permitir que eu seja afetado por algo que não me afeta diretamente? Não é estupidez deixar com que as desventuras de alguém reduzam dramaticamente minhas chances de permanecer impávido com a minha própria vida?
Por essa razão, muitas pessoas passam pela vida bem concentradas nas próprias necessidades, sem se distrair com desejos que não sejam os seus próprios. Não que essas pessoas estejam imunes a importar-se com quem quer que seja. Não. Isso até pode acontecer. Mas seus interesses sempre sobrepõe-se aos alheios. A pessoa fica de tal forma ensimesmada que até quando demonstra importar-se com alguém, o faz por si, não pelo outro. Aí os gestos ficam sem sentido. Aquele que pensa ser objeto de atenção, confunde-se. Fica sem entender como pode ser importante pra alguém, se demonstra aborrecimento e não recebe o cuidado esperado.
Mas o mais curioso é observar que imunizar-se às necessidades do outro não torna o egoísta mais feliz. É interessante constatar que aquele que só preocupa-se com os próprios anseios não encontra alegria. Não olha para os lados e assim não encontra referencial de felicidade. Espera desfilar a passeio pela vida dos que o cercam e encontrar entretenimento, distração. E assim leva a vida. Dando encontrão em pessoas suscetíveis ao próximo e saindo à francesa. De fininho...
Ao sujeito que doou um espaço do seu coração pra se importar com ele, sobra uma dor pungente. Não consegue entender e acaba pensando que o problema está em si. Diminui-se com questões como não ser suficientemente amável ao coração do egoísta. Bobagens. Todos estamos cercados de pessoas que nos amam e claramente demonstram se importar com nossas inquietações exatamente como somos. Difícil é olhar esse todo quando o egoísta insiste em manifestar sua indiferença em relação a algo tão precioso que lhe foi confiado.
Todos esses pensamentos vêm com clareza a minha mente. Mas não impedem a não compreensão de tudo isso que me ocorre. Embora esteja convencida de não obter as respostas, confesso ainda acalentar o íntimo desejo de que tudo fosse diferente. O desejo de que o conhecimento da minha dor motivasse uma ação sua. Vão.
Um comentário:
Ana, seu texto é lindo, sensato, coerente e generoso. E existem muitas (tá bom, não muitas) pessoas por aí que pensam como nós. Preocupar-se só consigo é algo triste. É sozinho. É unilateral. Não se doar é triste. Muito mais triste do que não compreender. Te amo.
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