domingo, 22 de junho de 2008

Profissão Repórter

Todos sabemos que São Paulo está saturada. No trânsito a coisa é assustadora. Os financiamentos parcelando carros em 12 anos e nada de parcelarem mais rua pra enfiar essa frota toda. O transporte público tem situação igualmente medonha: você até pensa em ser politicamente correto e deixar o carro na garagem, mas dependendo do seu destino corre o risco de chegar igualzinho aqueles blocos de lixo compactado.
Como muito em breve teremos eleição pra prefeito desse município, deixei meu lado Caco Barcellos vir à tona pra apresentar aos candidatos mais um drama que a cidade enfrenta. O drama dos que necessitam de um abrigo aos sábados à noite. Gente - não é brincadeira, é coisa séria. Milhares de paulistanos que peregrinam pela cidade em busca de um quarto que lhes ofereça um mínimo de conforto e segurança.
Não levantei nenhuma estatística do número de quartos disponíveis na Grande São Paulo (digo Grande São Paulo com o embasamento técnico de quem RODOU por São Paulo e municípios adjacentes realizando essa pesquisa), mas o fato é que a demanda está muito acima da oferta. Os estabelecimentos que oferecem essa prestação de serviço têm sua capacidade máxima atingida antes do meio da madrugada, o que acarreta em inúmeros casais vagando pelas vias públicas em situação de completo desalento pra alguns e desespero para outros.
Numa análise mais macro do problema, podemos concluir que essa questão é mesmo de interesse público. Veja: esses munícipes que percorrem a cidade em busca de um teto - espelhado de preferência -, podem representar uma ameaça a ordem. Imagina só. Os mais inconformados saem pelas ruas e avenidas propensos a causar acidentes. Os resignados, aceitam a situação e fazem do automóvel seu ninho de amor, expondo-se a assaltos e a toda sorte de violência urbana.
Como normalmente a rota dos estabelecimentos que atendem a essa necessidade do mercado é bem definida e eles ficam bem próximos um do outro, os carros enxergam-se como competidores disputando os preciosos quartos. Quando percebem o interesse do carro ao lado, aceleram em direção à entrada mais próxima, realizando inclusive perigosas ultrapassagens. Claro que depois de estar quase chegando no Rio de Janeiro, você começa a pensar que assim que engatar a ré, o Sergio Mallandro saltará sobre o capô do veículo te avisando que aquilo é somente uma pegadinha e que você pode sim adentrar no refúgio sem esperar pela hora e meia sugerida pela atendente da recepção (uma hora e meia não é força de expressão não, é um cálculo desenvolvido por engenheiros do ITA pra determinar quanto tempo aproximadamente levará o coito alheio mais a limpeza do quarto pra entrada do próximo. Nojento né? Mas é isso mesmo.)
Eu, repórter por um dia que vos fala, que nunca fui uma frequentadora assídua dos hotéis de alta rotatividade, fiquei chocada com a gravidade da situação. Fiquei pensando que candidato ofereceria a melhor plataforma pra amenizar essa situação e que plataforma seria essa. Aí lembrei que temos a disposição como candidata a síndica dessa zona, a SEXÓLOGA Marta Suplicy, que inclusive já apresentou caminhos pra resolução deste problema ano passado, no meio do caos aéreo. Relaxar e gozar. Mas prefeita??? Vamos relaxar onde??? Vamos gozar onde???? Bolsa-Formação de Família djá!

Um comentário:

Paula disse...

Dna. Marta acha que só os ricos que tem moradia própria e habitam sozinhos podem gozar. Que é isso Dna. Marta?