Entre as coisas bem-vindas que já recebeu estavam o leve e o pesado. Isso porque era uma pessoa de contradições. Gostava do glamour e gostava da caipirice. Gostava de divagar mas também gostava da objetividade. Gostava de Ramones e de Bee Gees. Gostava do leve e gostava do pesado.
Então era difícil encontrar satisfação. Quando ficava no glamour, sentia falta de relaxar. Sentia falta da espontaneidade. Sentia falta do benzadeus e da infinita lista de coisas prosaicas que compunham seu bem querer e que não estão disponíveis nos Jardins. Não que não gostasse daquele luxo todo. Deslumbrava-se com o prosecco sob as lentes do Amaury Jr. Mas precisava relaxar. Faltava fôlego pra manter a pinta tanto tempo. Tanto tempo sem soltar um único lado B. Quanto tempo seria capaz de resistir?
Quando seu lado moderno decidia que iria divertir-se e lambuzar-se, em pouco tempo sua versão Danielle Stil pedia pelo romance. Perdia a mão no entretenimento e logo já pedia mais que ocupação de tempo. Queria mensagens fora de hora e clichês que estavam bem mais pra Wando que pra Killers. E incrivelmente não sabia se esses gestos faziam seu coração sorrir ou seu estômago embrulhar. O que poderia agradá-la afinal?
Gostava de lançar tendência e permanecer na vanguarda, mas queria assistir a Luciana Gimenez e o Rodrigo Faro. O gosto pelo novo e seu olhar aguçado contrastavam com o prazer de estar na vila. Com a tranquilidade de se assumir. Mas assumir o que? O que era ela então?
Gostava mais do ovo duro ou do ovo mole? Molho branco ou molho vermelho? Tênis ou salto alto? Baladas que não têm fim ou domingo à tarde no sofá? Cantar ou escrever? Atleta ou boêmia? Era ela boa ou má? Gostava da solidão ou encontrava-se na multidão?
Ela não tinha as respostas. Tirando o amor pelo time do Palestra Itália e a aversão pelo Lula, tinha poucas escolhas definidas. Se ela escolhesse a beleza do branco, perderia a sensualidade do preto. Se vestisse a calça jeans ficaria sem o charme da mini saia. Não sabia se era o peixe que queria vender ou o que de fato tinha pra dar. Será que isso era influência dos astros pela sua Balança com ascendente em Peixes? Mas ela se interessava por astrologia desde quando?
Talvez por isso tenha se encantado com o leve e o pesado. Enfim não precisava escolher. Havia algo no ar leve como um zepelin e pesado como um boeing. Doce como brigadeiro quente desgrudando da panela e ardido como wasabi bem colocado no meio do sushi. Bom dia e boa noite.
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